Preconceito Linguístico
Enviada em 25/10/2018
O processo de colonização do Brasil no século XVI foi marcado não só por repressões culturais, mas também por repressões linguísticas. Apesar de os portugueses terem iniciado o processo de extinção das línguas, muitas delas sobreviveram e formaram a atual língua brasileira junto com outros idiomas, como o inglês. Todavia, os falantes das variações linguísticas são alvos de preconceito, por isso, é necessário combater esse impasse.
É primordial ressaltar que o Brasil possui inúmeras variações da língua, seja por região, época, classe social ou grau de escolaridade. Consoante Marcos Bagno, “A gramática não é a língua”, contudo é comum ver pessoas afirmando que a variante normativa é correta e todas as outras erradas. Isso, acaba proporcionando o que foi definido por Scherre, como o assédio linguístico, o que corresponde a atos de intolerância em relação aos falantes das variações linguísticas.
Outro fator imprescindível é que na escola Modernista a linguagem coloquial e as variantes da língua passaram a ser destaque na literatura brasileira em oposição ao parnasianismo que possuía uma gramática elitizada. A cristalização de elites gramaticais contribuem para a aceitação ou não das variações, existem inúmeros estrangeirismo na língua portuguesa, mas isso não é alvo de aversão. Em contrapartida, o biscoito ou bolacha; jerimum ou abóbora são motivos de discussões, assim como aconteceu no estado de São Paulo, onde um médico fez piada com o modo de falar de um dos pacientes.
Evidencia-se, portanto, que o preconceito linguístico é um problema que precisa ser resolvido. Para isso, faz-se necessário que o MEC (Ministério da Educação) junto as escolas elaborem oficinas extraclasses. Estas, devem ter textos que abordam a coloquialidade, o modo de falar de várias regiões, assim como professores de linguagens (espanhol, inglês e português) para falarem das variações nesses idiomas, a fim de que os alunos não tenham atitudes preconceituosas com o falar do outro. Destarte, seria dado o primeiro passo em busca do rompimento da gramática normativa como língua.