Preconceito Linguístico

Enviada em 25/10/2018

O preconceito linguístico não é uma questão restrita a atualidade. No século XVI, por exemplo, os portugueses vieram ao Brasil e ensinaram a língua portuguesa aos índios que viviam no país. Um dos motivos de terem feito isso é devido a eles acharem que o português era superior às línguas nativas. Hodiernamente, situações similares continuam a ocorrer. Nesse contexto, há dois fatores que não podem ser negligenciados: o prejuízo causado às pessoas e a razão desse problema perpetuar na sociedade.

Em primeira análise, cabe pontuar que o preconceito linguístico não traz prejuízos somente para quem o sofre, mas também para a sociedade como um todo. Prova disso é o caso do médico que, em 2016, postou uma foto ridicularizando um paciente por escrever palavras erradas. Esse fato causou um alvoroço nas redes sociais. Existiam pessoas o recriminando e outras rindo e fazendo mais piadas. Dessa forma, infelizmente, houve uma segregação e um distanciamento ainda maior entre os indivíduos, o que nunca é bom para a sociedade

Ademais, convém frisar que existem vários fatores que fazem com que esta questão ainda ocorra atualmente. O principal deles é a concepção de que apenas a norma culta é a maneira correta de se expressar. De acordo com o filósofo Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Logo, se a criança cresce sendo ensinada que somente a variante padrão deve ser utilizada e respeitada, ela, potencialmente, utilizará dessa variante para praticar atos preconceituosos contra pessoas que utilizam de outras. Deste modo, percebe-se a importância do povo conhecer não só a variante padrão, como também a não padrão.

Sendo assim, o Ministério da Educação deve conscientizar a população acerca da importância de se respeitar as variações linguísticas, além de ressaltar seu valor para a cultura brasileira. Essa ação ocorrerá por meio de palestras em escolas públicas e dependerá dos governos estaduais e municipais no que tange à cessão do espaço para realização delas. Espera-se, com isso, uma mudança no comportamento de possíveis preconceituosos e, por conseguinte, atenuar o problema do preconceito linguístico no Brasil.