Preconceito Linguístico

Enviada em 24/10/2018

Segundo Lavoisier, na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Da mesma maneira, esse é o processo que ocorre com a língua portuguesa em território brasileiro. Entretanto, a diversidade advinda da transformação no modo de falar em várias regiões, não é entendida por todos, dando espaço ao preconceito linguístico.

Primeiramente, esse preconceito serve como capa para encobrir a discriminação social. Diante disso, a elite, que detém o conhecimento da norma culta por conta de seu privilégio de ter um alto nível de escolaridade, despreza os demais falantes da língua portuguesa, principalmente do Norte e Nordeste, regiões com IDH - Índice de Desenvolvimento Humano, que avalia, dentre outros fatores, a escolaridade - mais baixo. Porém, a intolerância não se restringe só à essas áreas, em 2016, a foto de um médico de SP viralizou, pois ele havia escrito " não existe peleumonia, nem raôxis", para zombar de seus pacientes. Atitudes como essa, deixam claro o desapreço pela variedade da língua, que há muito tempo, escritores vêm tentando mudar.

Isto posto, é notório o papel da literatura na inclusão e exemplificação das demais formas de falar. João Simão Lopes Neto, é conhecido como o maior regionalista do Rio Grande do Sul por retratar em suas obras, além de aspectos e crenças da região, a oralidade da língua. Do mesmo modo, Gianfrancisco Guarnieri ao escrever a peça “Eles não usam black-tie”, usou da linguagem falada pelos moradores da favela do RJ retratada. Entende-se que, inúmeros escritores renomados podem ser citados e, menosprezar a literatura deles pelo modo como foi escrita seria ignorância, assim como é a discriminação com os falantes.

Torna-se claro, que a questão a ser discutida não é sobre o “certo” e “errado” da língua portuguesa, mas sim, o respeito à variedade desta. Assim, o Ministério da Educação deve fazer com que esse tema seja abordado em todas as escolas, por meio dos livros didáticos e palestras, para que futuramente não haja mais discriminação. À curto prazo, a mídia pode contribuir com propagandas informativas sobre a transformação do português pelo Brasil. Destarte, o preconceito poderá ser combatido, se explicado que o “culto” é um padrão, e não uma regra.