Preconceito Linguístico

Enviada em 24/10/2018

‘’ A única coisa que temos de respeitar, porque ela nos une, é a língua’’, afirmou Franz Kafka, célebre escritor alemão. Não obstante, o respeito perante a outrem no Brasil é escasso, uma vez que o preconceito linguístico tornou-se onipresente. Destarte, é crucial frisar como a sociedade e a confusão da gramática normativa com a língua cooperam para o aclive do empecilho.

Mormente, é notório que a população brasileira associa o poder aquisitivo de um indivíduo ao seu linguajar. Isso porque a elite do país definiu como dominante a norma padrão, o que discrimina as variações linguísticas utilizadas pelo restante dos cidadãos. Prova disso é a obra ‘’Preconceito Linguístico: o que é, como se faz’’ do professor de linguística, Marcos Bagno, na qual ele afirma que o conhecimento da língua normativa é utilizado como instrumento de distinção e dominação pela parcela culta da nação.

Ademais, há uma confusão por grande parte da sociedade, a qual vincula gramática normativa como sinônimo de língua. Por conseguinte, inúmeros indivíduos procuram aprender a norma culta , o que inibe as variantes da língua já empregadas por essas pessoas, destarte, esses cidadãos perdem um fragmento de sua cultura subjetiva devido a esse erro de associação. Em comprovação manifesta-se a construção desse estigma por muitas instituições de ensino que abordam como unânime a maneira culta de comunicação, o que corrobora na retificação dos alunos que interagem através de suas variantes.

Fica claro, portanto, que para o pensamento de Franz Kafka ser considerado válido em solo nacional, são necessárias medidas. Cabe ao poder Legislativo elaborar uma lei específica contra o preconceito linguístico, com pena de dois a dez anos de detenção, sem fiança, além do pagamento de indenização para a vítima, dessa forma a elite brasileira não possuirá meios de realizar sua dominação, uma vez que o restante da população que não pertence a alta sociedade, estará protegida. Por fim, o Ministério da Educação (MEC) deve abordar nas instituições de ensino uma variante linguística distinta a cada bimestre, por intermédio de palestras com convidados de cada estado, além de impor ao corpo docente que as retificações apenas serão válidas na escrita.