Preconceito Linguístico
Enviada em 25/10/2018
Desde o início da colonização do Brasil, houve a imposição da língua portuguesa aos nativos, ignorando as culturas e hábitos já existentes. Uma das evidências é a Lei do Diretório, publicada por Marquês de Pombal no século XVIII, a qual proibia o uso de outro idioma que não o português, discriminando centenas de variações linguísticas, como indígenas e africanas. Entretanto, é inegável que tal hostilidade permanece atemporal, devido à cultura da intolerância dos brasileiros, justificada pela forma de como o outro se comporta, julgando como “errados” dialetos, gírias e regionalismos, causando a exclusão social.
Nesse contexto, no ano de 1922 ocorreu a Semana de Arte Moderna, marcando o início do Modernismo, movimento cultural, artístico e literário, caracterizado pela liberdade na forma da escrita, aceitando jargões, neologismos, entre outras. Em contraponto, na contemporaneidade, tal liberdade é ameaçada em virtude do prejulgamento sofrido por alguns grupos, como quem não teve seu ensino completo, pessoas do interior, e de regiões diferentes. Tal fato é decorrente da falta do ensino sobre as alternâncias da língua, acarretando na crença de que apenas a norma culta padrão é a correta.
Sob essa ótica, a obra “Vidas Secas” de Graciliano Ramos exemplifica a discriminação linguística porque nela, é dito ao personagem principal que ele não pode contestar sobre sua vida, pois, por ser do sertão nordestino e por ter pouca escolaridade, ninguém o entenderia. Tal depreciação pela fala é recorrente no Brasil por causa do preconceito enraizado na sociedade, e acarreta ao falante a marginalização social e dificuldades de se expressar, por medo de expor suas ideias, frequentar certos ambientes e ser vítima da intolerância.
Portanto, torna-se imperativa a ação do Ministério da Educação de implementação de aulas de ensino às variações linguísticas em todas as escolas, juntamente às aulas da língua portuguesa, para que a norma culta não seja ignorada e o conhecimento acerca dos diferentes dialetos seja alcançado. Ademais, é imprescindível a criação de campanhas educativas pelas mídias sociais, através de vídeos e anúncios informando a todos os cidadãos sobre as consequências do preconceito sobre as alternâncias do português. Visando assim, o respeito à todas as formas de expressão da linguagem e a diminuição da segregação social.