Preconceito Linguístico

Enviada em 24/10/2018

A primeira fase modernista valorizava a liberdade formal e linguística com a utlização de termos coloquiais e dialetos regionais, no entanto, na contemporaneidade, tal liberdade tem provocado um impasse: o preconceito linguístico. No que tange a essa questão, a valorização da norma culta pela escola e a caricaturização de certas variedades da língua pela mídia acentuam o problema.

De acordo com a teoria “habitus” de Pierre Bourdieu, a sociedade incorpora as estruturas sociais que são impostas à sua realidade. Partindo desse postulado, a pessoas passam a naturalizar certos padrões e designá-los como certos e únicos, o que exclui outros desígnios. É o que ocorre com a norma padrão, as instituições educacionais intitulam-na como a forma correta e a sociedade naturaliza essa concepção, o que marginaliza as diversidades da fala. Tal marginalização é evidente quando, ainda nas séries iniciais, os educadores propõe ditados, em que, caso as palavras não estejam de acordo com o “ideal” , são atribuídas como incorretas.

Outrossim, vale ressaltar que essa situação é corroborada pelos meios midiáticos. Segundo a obra  “Preconceito Linguístico” do escritor Marcos Bagno, o modo como a fala nordestina é retratada nas novelas é um acinte aos direitos humanos, pois como é proposto pela Rede Globo, todo personagem nordestino é, sem exceção, um tipo grotesco criado para provocar o  riso e o deboche dos demais personagens e do espectador. Essa atuação da mídia propicia a criação de estereótipos e a exclusão, o que dificulta a resolução do entrave.

Dessa forma, torna-se visível que a discriminação do falar é um fator a ser revestido. O corpo docente deve promover projetos interdisciplinares a respeito da complexidade dos “falares” existentes, a fim de que haja uma interação e adequação por parte do corpo dicente aos mais distintos dialetos, para que a língua não seja vista em suas particularidades, mas, sim na pluralidade que é. Ademais, as narrativas fictícias devem atuar como inibidores da discriminação e, não, incentivadores, por meio de personagens que fujam à estereotipação e ridicularização, com o intuito de desmistificar esses ideais pré-concebidos e enraizados pela mídia, para que o preconceito seja, enfim, destruído.