Preconceito Linguístico

Enviada em 24/10/2018

A fase inicial do Modernismo caracterizou-se por um sincero interesse na formação da nossa identidade nacional - sobretudo no que diz respeito à linguagem -. Todavia, os ideais modernistas foram supliciados com a ascensão da gramática culta, instaurando a ditadura da fala correta e enraizando preconceitos sobre quem possui outras maneiras de se expressar.

Em primeiro lugar, é importante esclarecer que o entrave linguístico aportou no Brasil juntamente com os navios portugueses, que ao se depararem com os índios e a fim de estabelecer comunicação, foram, aos poucos, impondo seu idioma com ares de superioridade. Essa realidade foi crescendo com o passar do tempo e com o estabelecimento do padrão da norma culta, o qual cria uma barreira entre os que a utilizam de fato e os que seguem os dialetos singulares das comunidades onde vivem.

Somado a isso, tem-se o fato de que a sociedade tende a oprimir e colocar à margem pessoas que fogem dos padrões. Isso faz com que os interesses desses indivíduos sejam negligenciados, de maneira a dificultar a conquista de direitos básicos, como a formação acadêmica e oportunidades de trabalho. Essa realidade vai de encontro ao artigo 6 da Constituição Federal, o qual afirma ser dever da União garantir a educação e o emprego aos cidadãos brasileiros e, além disso, rompe o jusnaturalismo do filósofo inglês John Locke, quando afirmou que todos são iguais em direitos.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas -pois, como disse o filósofo Immanuel Kant, “O homem é aquilo que a educação faz dele”-, o qual promova palestras, apresentações artísticas e atividades lúdicas a respeito da pluralidade cultural e variedade linguística no Brasil - uma vez que ações culturais coletivas têm imenso poder transformador - a fim de que a comunidade escolar e, por conseguinte, a sociedade no geral, familiarizem-se e promovam conscientização paralela.