Preconceito Linguístico
Enviada em 24/10/2018
Segundo Montesquieu, a injustiça que se faz a um, é um ameaça que se faz a todos. Tal declaração, proposta pelo filósofo iluminista, permite-nos refletir, em nossos dias, o crescimento do preconceito linguístico em nossa sociedade. A partir disso, convém analisarmos as causas, possíveis consequências e soluções para essa problemática.
Em primeira análise, podemos apontar como grande motivador do preconceito atual a manutenção de uma língua arcaica, que sofreu poucas alterações ao longo dos anos, apesar de suas transformações. A primeira fase do modernismo prega, entre outros conceitos, o livre uso da língua, incorporando a linguagem coloquial. Entretanto, o que se encontra hoje em dia é um sentimento de superioridade frente a quem não utiliza a norma padrão, ignorando completamente a grande evolução e variação linguística presente no país.
Além disso, essa conservação da língua gera grande segregação social em grupos minoritários. Um exemplo disso é a exclusão de pessoas de baixa renda, com menor acesso à educação e de cidadãos de outras regiões, como a do nordeste, por não se enquadrarem aos padrões linguísticos exigidos pela outra parte da população. Sendo assim, há um sufocamento da linguagem da minoria pela imposição da maioria, perpetuando a descriminação.
Portanto, a manutenção do preconceito linguístico representa uma ameaça completa não somente aos indivíduos diretamente envolvidos, mas também a todos os cidadãos. Nesse sentido, o Ministério da Educação deve incentivar a desconstrução dessa ideia desde a escola, promovendo debates e dinâmicas a cerca da grande diversidade linguística presente no país, dando ênfase na variação da língua e de como ela constrói nossa cultura. Espera-se, com isso, uma diminuição do preconceito enraizado e um entendimento da importância dessa variação.