Preconceito Linguístico

Enviada em 26/10/2018

Conforme descrito na lei da inércia, de Newton, um corpo tende a manter-se em seu estado natural até que outra força, maior ou igual, haja nele mudando seu trajeto. De forma análoga, quando se verifica o preconceito linguístico, no Brasil, vê-se que no lugar de existir, assim como na teoria, uma força que muda seu movimento, na prática o percurso é mantido. Nesse contexto, cabe avaliarmos os fatores que possibilitam essa situação.

Em primeira análise, a escola é fundamental para o cessar de uma determinada intolerância. Nesse perspectiva, percebe-se que, o ambiente escolar foi sempre usado como um local de aprendizagem da normal culta da língua, entretanto, como nossa língua sofre muitas variações, no cotidiano, o estudo unicamente daquela abre margem para certos preconceitos se instalarem. Todavia, o escritor modernista Guimarães Rosa combate certos preceitos, através da publicação do seu livro - “Os Sertões - o qual mostra o dialeto nordestino. Desse modo, é nocivo como o não alcance da escola ratifica o movimento inerte do impasse.

Outrossim, salienta-se a intolerância já arraigada na sociedade. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira estabelecida de agir e pensar. Dessa forma, o fato de a população atribuir importância para as pessoas que falem de modo mais sofisticado, exclui, indiretamente, quem não obedece esse padrão. Desse modo, torna-se mais dificultoso a troca de percurso, da teoria à prática.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de medidas que alterem o percurso da problemática. De acordo com o pedagogo Paulo Freire, a educação muda as pessoas, e essas transformam o mundo. Logo, cabe ao MEC, por meio de mais repasses da Receita Federal, instituir em escolas, debates, palestras, apresentações lúdicas e culturais, ministradas por professores e psicólogos para alunos e seus responsáveis, que discutam as consequências negativas do preconceito com sotaques e linguajares do Brasil. A fim de que a sociedade, por meio das escolas, atue como uma força newtoniana capaz de mudar a inércia da intolerância linguística.