Preconceito Linguístico

Enviada em 23/10/2018

Os autores da Primeira Geração Modernista buscaram valorizar os falares regionais e coloquiais do povo brasileiro. Hodiernamente, no entanto, essa valorização não é verificada na prática, haja vista que o preconceito linguístico é um problema presente no Brasil. Nesse ínterim, medidas devem ser tomadas para garantir que todas as variantes linguísticas sejam respeitadas em um país multicultural.

Mormente, é válido destacar que a língua é dinâmica e constitui a identidade de um povo. Nesse viés, o uso linguístico varia de acordo com fatores etários, históricos, regionais e socioeconômicos. Contudo, os indivíduos não são ensinados, desde a infância, a valorizar toda a variedade existente, fato que propicia o preconceito, o qual se manifesta em piadas, estereótipos e xingamentos. Assim, enquanto a valorização de uma única variante em detrimento das demais for uma regra nas escolas, o respeito às variações será uma exceção.

Outrossim, o preconceito linguístico corrobora a exclusão social, que é um grave problema. Tal fato pode ser analisado à luz da perspectiva do filósofo Michel Foucault, segundo o qual as relações de poder estão presentes em todas as instâncias sociais e podem contribuir para a marginalização de determinados grupos. De fato, o uso da variante padrão da língua é um atributo da parcela mais escolarizada da população e é usado como um instrumento de poder e diferenciação social. Por conseguinte, os indivíduos que não tiveram acesso à educação ficam excluídos, podendo enfrentar problemas de socialização.

Fica claro, portanto, que o preconceito linguístico deve ser combatido no Brasil. Cabe ao Ministério da Educação garantir que as escolas ensinem, além das regras gramaticais, o respeito a todas as variantes linguísticas, por meio do aprofundamento desse assunto nos materiais didáticos, com o fito de evitar a discriminação e a exclusão. Concomitantemente, a mídia deve promover campanhas, veiculadas na televisão e em ambientes públicos, que mostrem os malefícios causados pelo preconceito linguístico, a fim de que eles não se perpetuem. Assim, vislumbrar-se-á uma sociedade que valorize todas as variantes linguísticas, assim como os autores modernistas.