Preconceito Linguístico
Enviada em 23/10/2018
Preconceito que cala, língua que discrimina
Na literatura brasileira, a fase modernista se caracterizou pela quebra de antigos paradigmas e uma ruptura com a forma rebuscada da escrita, passando á valorizar a linguagem cotidiana como identidade brasileira. No entanto, hodiernamente o preconceito linguístico é uma realidade que sobrepõe-se no âmbito social, resultando em um cenário caótico, seja pela ideologia de grupos superiores, seja pela marginalização sofrida pelos falantes.
Em primeira análise, nota-se que o preconceito linguístico é oriundo da segregação social, na qual fatores principalmente econômicos prevalecem, aonde grupos minoritários e dominadores ditam o certo ou errado e levam isso como demonstração de poder. Segundo a Folha de São Paulo mais da metade dos brasileiros não possuem o certificado do ensino médio, logo, estes possuem o desconhecimento da norma culta, fazendo com que seja um padrão muito irreal e distante da realidade vivida pelos brasileiros. Além disso, é fundamental destacar que depreciar a fala é desrespeitar uma cultura construída historicamente e impor regras destrói a riqueza de uma sociedade que se estabelece pela comunicação.
Para o sociólogo contemporâneo Nick Coundry, na sociedade existem inúmeras vozes que, por não serem ouvidas, acabam relegadas á inexistência. Ademais, indivíduos que por sua vez estão á margem da sociedade não se fazem presente no espaço social, inexistentes, excluídos, acabam formando uma barreira para efetividade da democracia que precisa de todas as vozes no espaço público e não somente daqueles socialmente privilegiados. Contudo o problema está longe de ser resolvido, a língua contém a sociedade e percebe-se que a exclusão social é um obstáculo a ser enfrentado para assegurar os direitos fundamentais de cada cidadão brasileiro.
Diante do exposto, fica evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Cultura em conjunto com as escolas publicas e privadas, promover teatros que valorizam a diversidade da língua regional e a pluralidade da sociedade. Paralelo a isso, o Ministério da Educação deve buscar junto aos professores uma nova forma de ensinar relacionando a norma culta com a variação linguística afim de extinguir a ideia de certo ou errado. Dessa forma, e de acordo com Nick, esses indivíduos agora, ocuparão seu lugar na sociedade de uma forma justa e democrática.