Preconceito Linguístico
Enviada em 25/10/2018
O Diferente Não é o Errado
Conforme as eras avançam a linguagem, o dioma, também evoluem de modo que novos padrões sejam adotados, com o pronome de tratamento “você” no qual certa feita foi usado como “vossa merce” e “vosmece”. Entretanto, o Brasil moderno ainda carrega preconceitos linguísticos entre suas diversas regiões e nesse sentido é importante que o Estado combata esse mal em suas fontes e consequências.
Em uma primeira análise, é imperioso destacar que a gramática normativa deriva de uma recorte da língua. Nesse sentido, Pierre Burdieu diz que o domínio da norma culta está relacionado à dominação social e isso é ilustrado pelo poder judiciário, no qual dificulta a compreensão de um indivíduo alheio a tal vocabulário. Além disso, infelizmente, os veículos tradicionais de informação contribuem para esse monopólio da linguagem de maneira que promova a diminuição do indivíduo não praticante do padrão estabelecido.
Dessa forma, lamentavelmente o preconceito se torna uma ação cotidiana, mesmo que de maneira velada. Essa conjuntura se aliado ao fato de que 11 milhões de pessoas são analfabetas no pais, segundo o IBGE, e isso atua como um potencializador da prática de discriminação que esses sujeitos são submetidos, como a personagem Fabiano de Vidas Secas, no qual em diversas passagens da obra de Graciliano Ramos em que deixa claro a dificuldade do vaqueiro de se expressar e defender-se.
Em suma é preciso descontruir essa mentalidade elitista. Para isso, cabe ao Ministério da Educação reformule suas diretrizes básicas do ensino da língua portuguesa a fim de adaptar para lecionar não somente as regras gramaticais, mas também que procure mostrar a variedade linguística do país. Ademais, faz-se necessário que o Ministério da Cultura busque valorizar os diferentes dialetos e gírias por meio de propagandas em horário nobre com intuito de atenuar essa mentalidade atrasada.