Preconceito Linguístico

Enviada em 23/10/2018

A língua é a identificação de um povo, de sua cultura, seu contexto social, etário, regional e histórico, por isso sofre alterações dependendo desses fatores. Todavia, falantes que não usam da gramática e sim de uma variação, são discriminados, já que, há o chamado preconceito linguístico, um problema pouco discutido, mas bem atuante.

Tal preconceito, como os demais tipos, é fruto de um senso comum, o qual por ser superficial, acredita que ao falar têm-se que utilizar sempre da gramática. Desconsidera que a linguagem está em constante transformação, e os responsáveis pelas mudanças são os próprios falantes, independente de classe social ou nível de escolaridade. Nesse sentido, não se deve desconsiderar a gramática normativa e suas regras, já que ela serve como base para o sustento do idioma, mas sim, admitir que todas as variações são inerentes à língua, o que se deve ensinar nas escolas, mas não se faz, negligenciando, assim, a problemática.   Outrossim, o autor Marcos Bagno considera em sua obra “Preconceito linguístico: o que é, como se faz”, um verdadeiro acinte aos direitos humanos, por exemplo, a forma coma a fala nordestina é retratada nas novelas. Um tipo rústico e grotesco, criado para provocar riso, acaba aumentando os estereótipos, além disso, representa uma forma de exclusão, já que se o Nordeste é “atrasado e pobre”, então por consequência sua língua também deve ser considerada da mesma forma.Ou seja, definir uma forma única de se comunicar, denegrindo as demais alternâncias, é inaceitável, já que a vítima atacada por esse preconceito é, constrangida por sua forma de falar, o que causa um tipo de segregação social.

Portanto, diante dos fatos mencionados acima é necessário que esse assunto, pouco falado, seja discutido nas escolas públicas e particulares. Logo, o MEC em parceria com essas instituições de ensino, deve formular palestras, com a participação de alunos e responsáveis, realizadas por pedagogos e professores, explicando que variações linguísticas não são erradas e sim, parte da língua. Ademais, é necessário que a mídia use de seu papel de comunicador, explanando e repreendendo essa problemática, por meio de campanhas feitas com o auxílio do Governo Federal. Dessa forma o Brasil poderia superar o preconceito linguístico.