Preconceito Linguístico

Enviada em 23/10/2018

Segundo Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da modernidade líquida, vivenciada durante o século XX. Analisando o pensamento do sociólogo polonês, essa realidade imediata perpetua-se com o preconceito linguístico, em detrimento não somente da ausência de uma legislação, mas também, da questão histórica envolvida por trás da língua portuguesa falada no Brasil.

É incontestável que os aspectos governamentais estejam entre os principais causas da discriminação linguística. De acordo com o artigo 3 do Constituição brasileira, cabe ao Estado o dever de construir uma sociedade livre, justa e solidária, garantindo o desenvolvimento nacional. No entanto, seguindo os últimos dados, a ação legal encontra-se distante da efetivação, haja vista que a ausência de uma legislação pertinente ao caso permite a sua continuidade. Constante a essa premissa, a pesquisa de Edson Pereira da Rocha revelou que 50% dos pesquisados promovem de alguma forma a rejeição da língua, seja por meio da escrita ou da fala, exemplificando o tamanho da problemática.

Da mesma forma, evidencia-se o aspecto histórico como impulsionador do problema. Segundo Michel de Montaigne, a mais honrosa das ocupações é servir o público e ser útil as pessoas. No entanto, de maneira análoga ao pensamento do filósofo, a atuação produtiva à sociedade encontra-se distante no país. Conforme a colonização do Brasil, os não falantes da língua portuguesa eram muitas vezes os escravos e os índios - posições marginalizadas naquela sociedade - que por sua vez acabavam por transmitir para futuras gerações, nessa mesmo conceito,sofriam preconceito devido o uso incorreto da linguagem padrão, semelhante ao que acontece hoje nas diversas formas em que se fala o português, variando entre estados, regiões e até mesmo pessoas de uma mesma cidade.

O combate à liquidez citado inicialmente, o fim de conter o avanço da cisma linguística, deve tornar-se efetivo, posto que os conflitos estatais e sociais garantem resistência do problema. Sendo assim, o Poder Legislativo deve criar leis, promovendo a punição dos transgressores, a fim de combater a falta de impunidade e a perpetuação do preconceito. Aliado a isso, a escola deve dedicar-se à elaboração de projetos sociais a fim de combater a constância dessa problemática, seja por meio de oficinas ou debates didáticos, mostrando os diferentes pontos de vista existentes, com o intuito de criar desde pequeno a ideia de cidadania, tolerância e sociedade. Afinal, poder-se-á construir, então, uma sociedade mais fiel aos princípios do Constituição.