Preconceito Linguístico

Enviada em 23/10/2018

Não há dúvidas de que o Brasil é um país extenso territorialmente e, devido a isso, comporta muitas variações linguísticas. Contudo, preconceitos derivados dessas diferenças são comuns, sendo motivados pela falta de respeito ao próximo e impulsionados pelas mídias e redes digitais. Desse modo, é preciso que os brasileiros aprendam a respeitar cada dialeto, gíria e sotaque que compõem a identidade nacional.

De fato, o assédio linguístico sempre esteve presente no Brasil, podendo ser caracterizado de diversas maneiras. Monteiro Lobato, por exemplo, ilustrava essa intolerância a partir do personagem Jeca Tatu, um caipira do interior de São Paulo, enquanto Graciliano Ramos, em Vidas Secas, retrava Fabiano, um nordestino também vítima dessa falta de respeito. Infelizmente, muitos não compreendem que aspectos socioculturais, geográficos e históricos podem influenciar no dialeto de um povo, logo, acabam praticando o famoso preconceito linguístico.

Na contemporaneidade brasileira, piadas envolvendo sotaques, gírias e “erros” de português são consideradas ofensas, todavia são frequentes nas mídias digitais. Devido a isso, a youtuber Marcela Tavares, recebeu fortes críticas aos seus vídeos, onde diz que quem escreve e fala errado é burro, pois, além de se tratar de discriminação, ela pode influenciar seus milhares de seguidores. Certamente, entender que a língua é multicultural e que nem todos têm acesso a ela da mesma forma é essencial para não cometer erros como esse.

Em suma, todas as linguagens devem ser respeitadas, visto que possuem o mesmo valor. Segundo Immanuel Kant, “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, assim sendo, é necessário que as escolas, públicas e particulares, de ensino fundamental e médio principalmente, incentivem gincanas e projetos entre os alunos, visando o respeito às suas diversidades. À vista disso, os alunos tendem a desenvolver a empatia uns pelos outros e a não propagar ofensas nas mídias digitais.