Preconceito Linguístico
Enviada em 23/10/2018
Na Semana de Arte Moderna, em 1922, os modernistas propuseram um distanciamento da norma culta, não só privilegiando o verso branco e livre, como também o regionalismo. Contudo, hodiernamente, após quase um século, o Brasil ainda sofre o preconceito linguístico mesmo com essa tentativa modernista. O combate dessas atitudes pressupõe um análise de suas causas e de suas consequências.
Em um primeiro plano, heranças do passado não foram superados e ainda refletem hoje em dia. Por mais de três séculos, o Brasil foi colônia de Portugal e, com isso, recebeu diversas influências europeias que foram inseridas em nossa cultura, uma delas o culto à perfeição formal na língua escrita e falada, que reinou durante o Barroco e o Arcadismo brasileiro. Uma vez que no período do Império esse fenômeno se intensificou com o advento do Parnasianismo, teve como consequência a criação da sociedade atual que respeita apenas a norma culta ou apenas a sua própria variante linguística.
Por conseguinte, as consequências são catastróficas para a cultura brasileira. Segundo o pai da sociologia, Émille Dukheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, sendo coercitiva, exterior e geral. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o preconceito linguístico pode ser encaixo na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança vive em uma família com esse comportamento, tende a adotá-lo pela vivência em grupo, intensificando o problema, caracterizando, segundo o próprio Durkheim, como um patologia social.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para solucionar o problema. Segundo o filósofo Immanuel Kant, “O homem é aquilo que a educação faz dele”. Logo, o Ministério da Educação deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por professores de letras, por meio de parcerias com universidade, que discutam sobre a importância das variantes linguísticas para a cultura brasileira, conseguindo, assim, curar essa patologia socal.