Preconceito Linguístico
Enviada em 23/10/2018
Ainda no século XX, João Cabral de Melo Neto escreveu a obra “morte e vida Severina” e objetivou promover a valorização dos falares regionais e sociais marginalizados na sociedade da época. Entretanto, mesmo depois de décadas, o objetivo do escritor modernista ainda se mostra distante, na medida em que o preconceito linguístico se perpetua e representa grave problema a ser, urgentemente, desconstruído pelos cidadãos e pelo estado.
É relevante abordar, primeiramente, que apesar de existir no Brasil diversas culturas e diversidades até na própria língua portuguesa, variações linguísticas devido a região e muitas vezes a falta de acesso aos estudos de uma sociedade mais carente. Essa problemática faz com que muitos desenvolvam problemas de sociabilidade e psicológicos. Com efeito, o assédio linguístico fragiliza a dignidade humana das vítimas, o preconceito está tão enraizado na sociedade que em uma história em quadrinhos chamada “Turma da Mônica”, é existente um personagem chamado: Chico Bento! Ele interpreta um papel de alguém do interior do estado de São Paulo que fala de uma forma diferente dos demais, porém torna-se perceptível que Chico Bento foi criado com uma língua desigual com o objetivo de levar humor até o leitor, dessa forma influenciando a discriminação.
Deve-se abordar, ainda que, a mídia transmite conteúdos diariamente que expõe a implicância com a fala do pobre, do nordestino, de uma forma desrespeitosa, é passado de forma explicita em novelas, filmes nacionais, a mentalidade retrograda que a pronuncia da comunidade de baixa-renda é sempre estigmatizada, como se apenas eles fossem responsáveis por transgredir a gramática normativa. Com efeito, é notório que se trata de intolerância a algumas regiões da nação e também de uma desigualdade social as variações de expressão, outro fator que colabora para que essa problemática não seja enfrentada é a falta de instrução das próprias pessoas que se tornaram de alguma forma o motivo de diversão para uma parcela da massa.
É imprescindível que cada indivíduo repudiem a inferiorização das variantes consideradas de baixo prestigio, por meio de debates nas mídias sociais capazes de combater, com urgência, a prevalência de uma variação sobre as demais, a fim de desconstruir estereótipos. O Ministério Público, por sua vez, pode promover denúncias contra atitudes que menosprezam os registros da linguagem de grupos historicamente excluídos, por intermédio de ações judiciais avaliadas com prioridade, como deveria ocorrer com todas as formas de discriminação. A iniciativa do Ministério Público teria a finalidade de estimular, no século xxi, a valorização linguística proposta por João Cabral de Melo Neto.