Preconceito Linguístico
Enviada em 23/10/2018
O legado deixado pelo choque de culturas ocasionado através das Grandes Navegações é a terrível sensação egocêntrica de superioridade! Sequelas de um momento em que povos se colocaram superiores na raça, na cultura, na cor, na religião e que até hoje são observadas fortemente. O preconceito linguístico é sim uma dessas sequelas e também um importante meio discriminatório no Brasil e no mundo.
Variações linguísticas são observadas, por exemplo, do norte ao sul do Brasil e, mesmo que informais, são consideradas como importantes componentes da Língua Portuguesa Brasileira. Palavras como “uai”, “mainha”, “caraca”, “guri” são motivo de chacota quando não pronunciadas dentro da sua região berço. Variações estas que não só enriquecem a língua, mas que solidificam as características de cada região e povo.
Os linguajares como o adolescente que abrange palavras como “vei”, “tipo”, “mano”, etc., o internetês (linguajar utilizado nas redes sociais), o de época que abarca os famosos “em riba” e “conto de réis”, também sofrem discriminação principalmente devido à correlação feita pelas classes sociais, ponto do qual mais uma vez retornamos à questão chave desse preconceito: a sensação de ser integralmente superior à outrem.
O preconceituoso não é superior à ninguém, pelo contrário, é infinitamente inferior. Além de se apresentar intolerante e indiferente à criação, educação e forma de se comunicar de alguém, ele se mostra ignorante quanto aos domínios da língua, pois até mesmo a linguagem formal e a coloquial possuem seus momentos de utilização. Um advogado em labuta, não usará a linguagem coloquial, assim como não se fará necessário que ele faça uso da linguagem formal em seus horários pessoais!
O combate ao preconceito, não somente ao linguístico, deve ser estimulado e propagandeado em TODOS os meios possíveis, pelo Governo, pelas escolas, pelos pais para que saibamos nos colocar na nossa posição: somos iguais em nossas diferenças!