Preconceito Linguístico

Enviada em 23/10/2018

Em “Macunaíma” de Mário de Andrade o autor utiliza recursos linguísticos de variadas regiões brasileiras a fim de retratar a diversidade existente. Apesar da obra aproximar a realidade da fala de pontos do país aos leitores, o preconceito em relação à variedade linguística é existente e poucas vezes é vista como um problema social. Atuando conforme o funcionamento da corrente elétrica, qual ocorre pelo movimento de elétrons e percorre o caminho mais fácil possível, a intolerância com os diferentes tipos de linguajar - quais estão em constante transformação, portanto são variáveis de acordo com a região, faixa etária e escolaridade - serve como via curta para tentativa de aplicar uma norma culta, porém prejudicial aos que sofrem discriminação.

Dessa forma, o preconceito linguístico intermedeia a exclusão de uma parcela da população que não teve acesso à fala padrão. Essa antigamente era utilizada pela burguesia e até os dias atuais pertence predominantemente ao vocabulário dos com maior poder aquisitivo e com mais oportunidades. Portanto, a parte não dominante desses recursos é excluída de uma série de espaços públicos. De maneira similar à corrente elétrica, a exclusão dos sem conhecimento da comunicação verbal culta é via breve para uniformizar a linguagem, contudo não satisfatório para resultar na mesma.

Por outro viés a resistência - descoberta por Georg Ohm - se opõe ao fluxo elétrico, barrando o trabalho anterior. No sentido em que a direção é oposta, foi criada no ano de 1989 a Lei 7716, qual afirma que preconceito de procedência nacional é crime. Apesar disso, pouco se têm dados de crimes pois a ordem não é aplicada com rigor.

Logo, fica visível a necessidade de mudança da realidade próxima a corrente elétrica para a de resistência. Por intermédio de ação conjunta entre da Polícia Militar e projetos de lei aprovadas pelo Senado, tornar a obrigação já existente mais eficaz, fazendo com que as infrações sejam punidas. As disciplinas de língua portuguesa e sociologia da grade curricular obrigatória devem trabalhar a questão ao educar para utilização da norma culta e instigar o senso crítico em relação aos crimes. Só assim, além de ensinar a norma padrão, será possível ensinar os infantes a não serem multiplicadores da discriminação e resistirem ao usual.