Preconceito Linguístico
Enviada em 23/10/2018
Desde os primórdios da existência da espécie moderna de hominídeos, a homo sapiens sapiens, é característica intrínseca a capacidade de comunicação através da fala. Com efeito, a invenção da escrita e a criação da imprensa no século XV foram os responsáveis, respectivamente, por iniciar o processo histórico e revolucionar os meio de comunicação. Entretanto, estabeleceu-se uma opressão linguística na atualidade, sendo fruto de uma desigualdade socioeconômica e de diferenças regionais, de modo a gerar uma hierarquização e marginalização na sociedade.
Segundo o filósofo grego Aristóteles, o homem é um ser social e, por isso, organiza-se em conjunto através da fala. Destarte, no estabelecimento da sociedade brasileira moderna, criaram-se desigualdades econômicas e sociais inerentes de características históricas próprias, tais como a inacessibilidade de educação à totalidade da população e a valorização de uma cultura elitista. Assim sendo, segundo dados do IBGE (instituto brasileiro de geografia e estatística ), o Brasil é um país de milhões de analfabetos que, consequentemente, apresentam como característica comum uma linguagem diferente da norma culta e, devido a isso, sofrem opressão linguística, sentindo-se inferiores em sua condição, sendo a língua um meio de afirmação de status e hierarquização da sociedade.
Outrossim, a variação linguística regional é desvalorizada mesmo na sua forma oral, que não está atrelada a norma culta em certas ocasiões do cotidiano e, no entanto, sofre preconceitos. Mormente, o modo de falar de cada região é resultado da história local e carrega em si características culturais da sua população, como as gírias na cidade, os sotaques diferentes no país e as suas expressões próprias. Por isso, faz-se necessário o respeito às variações linguísticas como meio de valorização da cultura brasileira e de integração nacional.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o preconceito linguístico existente no Brasil. Em primeiro plano, deve-se estabelecer nas instituições de ensino do país, através da ação do Ministério da Educação em diálogo com professores da área, espaços para reflexão acerca da diferença entre língua e gramática normativa, especificando-se as ocasiões em que cada uma deve ser utilizada, sendo isso uma forma de promover o respeito e a tolerância entre as diferentes formas de fala. Aliado a tal medida, é necessário que ocorra investimentos por parte do governo federal, quer seja na qualificação de professores ou na criação de escolas de qualidade com transporte para os alunos, visando aumentar o acesso à educação por toda a população e diminuir a desigualdade de oportunidades. Por fim, deve-se promover, através da mídia, propagandas que valorizem as variações linguísticas de cada região como meio de respeito a cultura do país.