Preconceito Linguístico

Enviada em 22/10/2018

Muito se discute acerca das variações linguísticas na sociedade brasileira, sobretudo em relação aos desafios para reduzir os casos de preconceito linguístico. Nesse contexto, a população brasileira tem como forte característica a miscigenação, ou seja, a cultura e a língua brasileira possui inúmeras vertentes que a enriquece. Porém, as diferenças de vocabulário, principalmente inter-regionais, tem motivado o preconceito e a discriminação social. Conquanto, a manutenção do preconceito linguístico está amparado por diversos fatores, tais como: a ineficácia da atual matriz curricular em incentivar o debate sobre assuntos sociais e o compartilhamento de posições intolerantes nas mídias sociais.

No que se refere à temática em questão, pode-se destacar a comunicação virtual como uma das principais fontes de disseminação de preconceito vocabular. Outrossim, as principais vítimas desse tipo de intolerância diz respeito às pessoas nordestinas ou que pertençam a camada mais pobre da sociedade. Não raro, o preconceito linguístico, disseminado pelas redes sociais, cria padrões de sociabilidade que atuam como ferramentas de desigualdades sociais. Nesse cenário, um “sotaque diferente” pode definir uma vaga de emprego e, por conseguinte,  sobrepujar às habilidades pessoais do candidato.

Ademais, a escola possui um papel fundamental no desenvolvimento do cidadão brasileiro. Entretanto, a matriz curricular proposto pelo Ministério da Educação não aprofunda, com eficácia, o debate sobre a importância das variações linguísticas para a identidade do país e da própria pessoa como cidadã. Conquanto, devido ao seu modo de se expressarem, muitas pessoas imigrantes do nordeste do país são vítimas de intolerância até mesmo nas salas de aula, em especial no centro-sul do país. Nessa perspectiva, o filósofo Immanuel Kant defendeu a importância das escolas para o desenvolvimento de uma sociedade e pontuou que “o ser humano é aquilo que a sociedade faz dele”.

Diante dos argumentos supracitados, torna-se imprescindível que o Governo Federal elabore uma lei que torne obrigatório a inserção do Cadastro de Pessoa Física(CPF) ao abrir uma conta em uma rede social. Dessa forma, as contas que compartilharem conteúdos que desrespeitem os direitos individuais de outrem teriam seus cadastros bloqueados e seu CPF impedido, por tempo indeterminado, de acessar as redes sociais. Espera-se, assim, que diminua a propagação do preconceito linguístico na internet. Além disso, o Ministério da Educação, em coparticipação com as escolas, deve desenvolver uma nova matriz curricular que aprofunde o debate sobre os malefícios da intolerância vocabular. Dessarte, almeja-se que o desenvolvimento acadêmico possibilite uma maior conscientização sobre a importância de respeitar a “miscigenação Linguística” do Brasil.