Preconceito Linguístico

Enviada em 23/10/2018

Como consequência da corrente positivista criada por Auguste Comte no século XXI, o pragmatismo científico dominou o curso do pensamento filosófico ocidental. Dessa forma, a gramática normativa consolidou-se como alicerce do estudo das linguagens. No entanto, a partir dessa caracterização, as variantes linguísticas, sobretudo a regional e a de classe, tornaram-se alvo do preconceito deliberado.

Nesse sentido, o preconceito contra a variante regional é análogo ao preconceito étnico na medida em que possuem a mesma origem social. Por exemplo, a ignóbil tese eugenista do século XX, que legitimou a ideologia do partido nazista na Alemanha por meio da noção equivocada de hierarquia de raças, encontra respaldo na falsa premissa de que existem variantes linguísticas melhores do que outras. Sob essa perspectiva, a ridicularização ou mesmo a marginalização de um produto fonético regional -os sotaques-, podem ser compreendidas como a manifestação de um preconceito grave que tange à xenofobia e ao racismo.

Além disso, o preconceito linguístico entre classes, ao assumir um posicionamento elitista, pode representar uma maneira sutil de excluir determinados grupos sociais das atividades políticas do Estado devido à pretensiosa ideia de que a erudição é superior à simplicidade. De acordo com a dialética de Platão, o dialogo é fundamental para o pleno exercício da cidadania e das potencialidades humanas. Portanto, o ato de deslegitimar o discurso de um indivíduo baseando-se na sua incapacidade de reproduzir oralmente a normativa padrão da gramática é um atentado contra o estado democrático de direito. Cabe ressaltar que, o conceito de linguagem vigente nos corpos acadêmicos do país é pautado pela habilidade de estabelecer pontes de comunicação sólidas com o interlocutor, o que não pressupõe necessariamente o uso exclusivo da variante padrão.

Sendo assim, para acabar com o preconceito linguístico é imprescindível combater o preconceito étnico e social por meio de uma educação de qualidade. Isso ocorrerá por meio do Ministério da Educação(MEC), que deve incluir no currículo do ensino fundamental e médio aulas sobre a formação socioeconômica do Brasil com foco nos aspectos da linguagem com fim de diminuir a intolerância. Também, a sociedade civil deve acolher e aceitar as narrativas individuais do mundo circundante independentemente da sua conformidade com a norma padrão. Assim, o país poderá contar com uma sociedade mais tolerante e receptiva, expandindo o escopo do conhecimento para além do positivismo.