Preconceito Linguístico
Enviada em 25/10/2018
Na visão do filósofo inglês John Locke, cabe ao Estado a proteção a todos os indivíduos, bem como a garantia à vida, à propriedade e à liberdade, que são direitos inalienáveis. Atualmente, porém, observa-se que a problemática vivida pelas vítimas de preconceito linguístico propiciado pela exclusão social de evidencia que tais prerrogativas não são respeitadas, devido à falta de atitude do Governo e à compactuação da sociedade. Diante disso, é preciso conhecer os diversos estigmas desse problema, na propensão de solucioná-lo.
Em primeira análise, nota-se que a recorrência de casos de preconceito linguístico é fomentada pela incapacidade das esferas públicas de exercerem seu poder simbólico frente as desigualdades sociais. Isso porque a língua está totalmente ligada à estrutura e aos valores da sociedade, e os falantes da norma culta são aqueles que apresentam maior nível de escolaridade e poder aquisitivo. Nesse contexto, parafraseando Chico Xavier, a omissão de quem pode e não auxilia o povo é comparável a um crime que se pratica contra a comunidade inteira.
Ademais, vale ressaltar que a compactuação da sociedade é um mecanismo intenso desse impasse. Essa motivação, dentre outras razões, pode ser explicada pela atitude cultural exclusão e de intolerância em relação as variantes da língua. Nesse sentido, em um artigo publicado pela revista Le Monde Diplomatique, o antropólogo e cientista político Sílvio Brava afirma que o aprofundamento de casos de preconceito linguístico, no Brasil, adquiriu contornos preocupantes ao atingir um crescimento de 57% na última década, com claras perspectivas de agravamento do quadro. Desse modo, a sociedade torna-se a principal vítima de suas próprias contradições, omissões e condutas.
Torna-se evidente, portanto, que a falta de atitude do governo, em paralelo à compactuação da sociedade, são importantes vetores da problemática. A fim de que haja a imprescindível superação desse panorama, faz-se necessário o Ministério de Educação, na figura das instituições de ensino, implemente núcleos de debates e divulgação sobre o preconceito linguístico. À vista disso, os professores devem criar dinâmicas de grupos nas escolas, envolvendo alunos e a comunidade, retratando situações reais com busca de soluções, no intuito de corrigir esse flagelo cotemporaneo. Além disso, a mídia, deve buscar maior informatividade e postura crítica da população, ao divulgar projetos socioculturais que incentivem o respeito de todas as variantes existentes da língua, assim como investir em campanhas que ajudem a desconstruir o preconceito linguístico. Agindo assim, o Estado idealizado por Locke será uma realidade empírica, não um ideal ou uma utopia.