Preconceito Linguístico
Enviada em 22/10/2018
’ Carolina de Jesus escreveu o livro “Quarto de Despejo”, um dos livros brasileiros mais traduzidos e vendidos no mundo, através de uma lingua-gem simples e com marcas de oralidade. Contudo, ainda observa-se, na sociedade brasileira,um preconceito frente às variações da língua portu-guesa, onde graças a contribuições de meios midiáticos e da escola, so-mente um jeito de falar ou escrever é o certo,promovendo atos intolerantes.
Em primeiro lugar, é preciso observar que a mídia contribui para a manutenção do preconceito linguístico. Isso se dá porque essas fontes de informação, como jornais, programas de entretenimento e internet são muito acessadas pela população no geral. Ora, a linguagem utilizada ali preza pela língua normatizada, bem como usa variações linguísticas em contextos pejorativos, ou para criar momentos engraçados. Logo, seus consumidores chegam à conclusão que desviar da língua padrão é algo errôneo, que deve ser repreendido.
Não obstante, esse pensamento é frutificado nas escolas, que não ensinam a variação linguística como algo natural. Isso ocorre pois essas fornecem aos alunos um recorte regulamentador da língua, baseado no que o pesquisador sobre variações linguísticas, Marcos Bagno, considerou como tríade tradicionalista, composta pela gramática normativa, métodos convencionais de ensino e livros didáticos, que perpetuam outros jeitos de falar como errados e impraticáveis em qualquer situação.
Desse modo, é indubitável que os obstáculos para vencer o preconceito linguístico sejam erradicados. Para tanto, é preciso que o MEC crie par-cerias com emissoras e editoras de meios de comunicação, para que essas introduzam a variação linguística em seus produtos, de modo que seus consumidores adquiram consciência sobre a naturalidade dos diversos mo-dos de usar a língua portuguesa. Cabe ainda a esse ministério a reor-ganização do currículo de linguagens do ensino básico, com o intuito de nortear o preparo de aulas considerando sempre a variação da língua, de forma que os discentes sensibilizem que falar diferente não é falar errado.