Preconceito Linguístico
Enviada em 22/10/2018
O Brasil é conhecido mundialmente por sua pluralidade cultural e linguística, posto que autores do Modernismo, sobretudo da Geração de 1922, buscavam uma literatura genuinamente brasileira visando compartilhá-la com o mundo. No entanto, os usuários de dialetos regionais e de gírias sofrem preconceito pela maneira como utilizam essas ferramentas da linguagem, antes valorizadas pelos modernistas. Nesse sentido, é necessário que subterfúgios sejam descobertos com o objetivo de solucionar a inercial problemática.
Em primeiro plano, nota-se que a desvalorização da diversidade linguística é uma das principais causas do preconceito. Isso acontece pois o conteúdo programático escolar, assim como os professores de Português preocupam-se apenas com o ensino da gramática normativa e excluem da sala de aula a principal base de formação cultural brasileira: a língua falada. Tal comportamento é criticado no poema nomeado “Pronominais”, de Oswald de Andrade, uma vez que o poeta afirma que a negação dos docentes perante a profusão linguística não impedirá os falantes de utilizarem a língua popular no dia a dia.
Além disso, vale-se notar que o conhecimento da norma culta é utilizada como ferramenta de dominação e exclusão social. Para Karl Marx a classe dominante é detentora e manipuladora de todos os âmbitos sociais, incluindo à educação. Essa concentração de poder fomenta a segregação social, cuja classe dominante possui acesso à educação de qualidade e, consequentemente, possui conhecimento da norma culta - vista como correta -, e os demais são taxados como inferiores, visto que desconhecem as regras gramaticais e falam de forma “errada”. Dessa forma, o abismo social e a precariedade do sistema educacional corroboram o preconceito linguístico entre as classes.
Destarte, medidas têm de ser aplicadas a fim de apaziguar o problema. Por isso, o MEC (Ministério da Educação), junto às coordenações escolares deve adicionar aulas sobre variedade linguística à grade curricular na matéria de Língua Portuguesa, para que os estudantes compreendam a importância de ambas vertentes da língua, a culta e a falada. Ademais, o Ministério da Cultura e a mídia têm de irradiar pelos meio midiáticos populares, propagandas sobre o papel dos aspectos linguísticos na cultura e de que não há uma forma errada ou correta de falar, pois a língua é propriedade do povo e o mesmo pode moldá-la segundo suas necessidades e âmbitos. Apenas assim, a variedade linguística será valorizada e reconhecida pelos cidadãos falantes.