Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2018
Segundo Marcos Bagno, o Brasil contêm mais de duzentas variações linguísticas, desde as já existentes entre os indígenas, às trazidas pós colonização. Ao mesmo tempo em que elas demonstram a resistência cultural de um povo, ela também se torna uma problemática ao ser tida como o jeito “errado” de ser pronunciado, através imposições inadequadas na escola e, no mesmo quadrão, sendo ridicularizadas nos meios de comunicação.
Em primeira análise, evidencia-se que a escola está perante a problemática. Ao mesmo tempo em que a instituição escolar tem o papel crucial na formação do indivíduo, parte delas, por meio de uma metodologia de ensino equivocada e materiais normativos pela escola, demonstram um autoritarismo e inflexibilidade na construção e demonstração, que corroboram que uma ideia será invalidada caso não esteja de acordo com a norma culta. Nesse contexto, o linguista Bagno desaprova essa imposição de uma língua ser tida como dominante e comum para mais de 200 milhões de brasileiros.
Paralelo a isso, a mídia, de forma errônea, ajuda na propagação desse preconceito. Prova disso são as novelas, onde há sempre um personagem “nordestino” que, sem exceção, é ridicularizado e sendo motivos para risos na trama e, automaticamente, sendo comparado a um tipo grotesco, rústico e preguiçoso, enquanto os demais personagens são unilaterais e falam um mesmo tipo de língua, sem qualquer sotaque que os diferencie. Prova disso, o site CartaPontiguar afirma que a mídia tem alimentado esse esteriótipo e critica essa caricatura dos personagens nordestinos na trama. Portando, é evidente que há um preconceito embutido e camuflado nos bordões televisivos que acaba sendo estimulado a se tornar algo natural.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para combater o preconceito linguístico, visto que ela é a marca de um povo e precisa ser preservada. Cabe ao Ministério da Educação, em parcerias com as escolas, valorizar o ensino das variações linguísticas e suas formalidades a fim de conscientizar os estudantes na flexibilidade e respeito com essas variações. É papel da Mídia promover novelas, com atores locais, sem caricaturar os personagens, a fim de mostrar que o Brasil é uma nação dos mais diversos jeitos e falas, fazendo com que a população se adeque e as respeite.