Preconceito Linguístico
Enviada em 21/10/2018
A discriminação com base no modo de falar dos indivíduos é encarada com muita naturalidade na sociedade brasileira. Os ‘’erros’’ de português cometidos por analfabetos, semianalfabetos, pobres e excluídos, são criticados pela elite, que ‘‘disputa’’ quem sabe mais a língua do país. No entanto, para se construir uma sociedade mais tolerante com as diferenças- típicas em um país extenso territorialmente e culturalmente como o Brasil- é preciso exigir que as diversidades nos comportamentos linguísticos sejam respeitadas e valorizadas, até mesmo porque a língua falada, diferente da escrita, é diversa e não exige regras.
O preconceito linguístico é acima de tudo um preconceito social. Ele atinge principalmente as classes mais baixas, que além de já serem marginalizadas diante da dificuldade do acesso à educação e a diversos outros direitos, ainda sofrem com a humilhação diante do seu modo de falar. A exemplo disso, tem se o caso do médico que debochou do modo de falar de um paciente, e o modo como a fala nordestina é retratada nas novelas de televisão, como um tipo de linguagem grotesca, atrasada, criada para provocar o riso e o escárnio dos telespectadores. Entretanto, percebe-se que as línguas não são retrato de um local apenas pela forma como as pessoas se comunicam, mas uma forma de se moldar as necessidades do dia a dia e aos diferentes níveis de escolaridade.
Para tala análise, essa dinÂmica encontra sustento na obra ‘‘Preconceito linguístico’’, do linguísta e filósofo Marcos Bagno, na qual ele afirma não existir uma forma ‘‘certa ou errada’’ dos usos da língua, visto que a essa é mutável e vai se adaptando ao longo do tempo de acordo com as necessidades do falante. No dia a dia, alguns grupos possuem a necessidade de se comunicar rápido, o que acaba gerando desvios gramaticais, outros como os nordestinos carregam em sua cultura um modo de falar próprio dotado de regionalismo, os quais também desviam da norma padrão. No entanto, esses diferentes modo de de fala não devem ser visos como inferiores, uma vez que a língua falada, ao contrário da língua escrita, possui a liberdade de se comportar diferente diante das diversas visões de mundo, culturas e costumes.
Diante desse cenário, evidencia-se a importância da mídia, instituição propagadora de opiniões,
na necessidade de desconstruir os preconceitos linguísticos existentes na sociedade, e que em diversas vezes é intensificado por ela. Isso pode ser feito por meio da desconstrução de estereótipos em novelas, e de campanhas que defendam a liberdade de cada um poder falar de seu modo, sem ser vitima de deboche e crítica. Ademais, cabe a escola a função de promover a tolerância linguistica entre os alunos, e mostrar à eles por meio de palestras que todos devem ser tratados com respeito.