Preconceito Linguístico
Enviada em 21/10/2018
É incontrovertível que o preconceito linguístico reincide no panorama social contemporâneo brasileiro. Nesse sentido, mediante fatores históricos e a contundente educação, a problemática perpetua-se no país. Urge, portanto, a necessidade de ver para prever e prever para prover, conforme afirmado por August Comte- sociólogo clássico-, ou seja, conhecer a realidade de modo a antecipar seus efeitos visando a solução.
Primordialmente, vê-se que a imposição da gramática normativa pelos portugueses- antigos colonizadores da nação- está entre as causas do problema. Nessa perspectiva, a construção linguística brasileira, ao longo da História, ficou enraizada na influência europeia, ao passo que a linguagem metropolitana foi estabelecida como correta e qualquer variação tangente, ainda hoje, é vista como imprópria. Entretanto, a linguagem cotidiana do brasileiro é dotada de aspectos sociais, econômicos e regionais, os quais não seguem a norma culta, malgrado é digna de respeito ao contrário de preconceito.
Cabe salientar, outrossim, que a estrutura educacional pedagógica corroba com o preconceito linguístico ao acentuar seus efeitos. Destaca-se a postura impositora de grande parte dos professores com relação ao uso correto da gramática, esquecem-se, portanto, dos divergentes níveis de escolaridade, ademais das construções regionais diversas que circundam o cotidiano do aluno. Segundo Immanuel Kant: o ser humano é o que a educação faz dele, denota-se, por meio de tal verdade, a repetição comportamental do professor por parte dos alunos, os quais além de julgarem àqueles que não se expressam de forma normativa, ridicularizam-os. Dessa forma, a questão histórica atrelada a educação propícia de preconceito contribuem para prever de forma inercial a continuidade dos efeitos excludentes, caso não haja ação.
Diante de tal panorama, medidas são necessárias para prover a erradicação do preconceito linguístico. O Ministério da Educação- responsável pela política nacional de ensino- deve instituir campanhas sobre a importância do respeito as variações linguísticas, por meio de palestras educativas nas escolas, ambiente formador de caráter, atingindo os professores e os alunos. Destarte, com o intuito de promover a pluralidade linguística e desconstruir a imposição histórica de linguaguem singular, logo o preconceito será amenizado assim como as consequências de sofrimento geradas para as vítimas.