Preconceito Linguístico
Enviada em 21/10/2018
De acordo com o Existencialismo, doutrina filosófica surgida na França, no século XX, a liberdade de escolha é refletida nas condições de existência do ser. Portanto, cabe ao homem ser responsável por suas ações. Porém, no Brasil, isso não passa de uma teoria, visto que ainda o preconceito linguístico se faz presente – o que explicita a falta de Políticas Públicas voltadas para a formação plena do cidadão.
É inquestionável que o governo brasileiro já adota medidas que primam pela efetivação de uma sociedade justa e coesa, no que diz respeito ao modo de falar dos indivíduos. Pode-se mencionar, como por exemplo, sua própria Constituição Federal, cujo objetivo é – dentre outros direitos – assegurar a todo cidadão, sem distinção de qualquer natureza, a liberdade de expressão. Isso, de certa forma, demonstra que o Estado já intenta proporcionar ao homem o uso de variantes de sua língua.
Contudo, medida pontual como essa ainda é insuficiente para a construção de um contexto social favorável ao desenvolvimento da nação no que tange à discriminação linguística, pois, devido à falta de ética, o homem da elite sente-se livre para criticar os “erros” cometidos por analfabetos, semianalfabetos, pobres e excluídos por sua variante regional –o que esclarece o uso do conhecimento da gramática normativa como instrumento de distinção e dominação pela população culta. A partir dessa realidade, fica evidente, sobretudo, o preconceito na língua que faz com que os indivíduos se sintam humilhados ou intimidados com a possibilidade de cometer erros de português, causando, consequentemente, além da segregação social, a censura da liberdade de falar. Isso está relacionado ao baixo nível educacional oferecido à maior parcela da sociedade, ainda incapaz de agir e desenvolver-se eticamente em situações cotidianas. A verdade é que o preconceito linguístico não será atenuado, enquanto o Estado não pautar a educação na formação de um cidadão verdadeiramente responsável. Afinal: “O homem é condenado a ser livre, porque depois de atirado neste mundo torna-se responsável por tudo que faz”, diz o filósofo francês Jean-Paul Sartre.
Depreende-se, pelos fatos expostos, que há uma necessidade de maiores investimentos na Educação Básica – já previstos pela Lei de Diretrizes e Bases n° 9.394/96. Portanto, é plausível que haja, por parte do Estado, não apenas uma ampliação do currículo escolar a fim de contemplar aulas de Língua Popular desde o Ensino Fundamental, como também, em parcerias com as escolas, realize palestras e campanhas comunitárias, com a finalidade de fazer com que os indivíduos tenham uma visão crítica e desprovida de preconceitos sobre as variantes da língua portuguesa. Dessa forma, ter-se-á uma nação detentora dos princípios existencialistas.