Preconceito Linguístico
Enviada em 01/11/2018
“O preconceito tem mais raízes do que os princípios”. De acordo com Nicolau Maquiavel, a intolerância é, muitas vezes, mais considerável que a própria ética. Destarte, é evidente que os problemas acarretados pelo preconceito linguístico aproximam o Brasil de vivenciar o pensamento do filósofo italiano. Por esse motivo, urge a necessidade de reconhecer e problematizar a ausência de valores empáticos transmitidos aos estudantes de rede de ensino do país. Do mesmo modo, a escassez da coercitividade no que tange a punições mais rígidas ao discurso discriminatório, impera como agente regressora na solução desse impasse.
Em primeiro plano, ressalta-se, de acordo com o portal Educação Pública do Rio de Janeiro, que a educação nacional deve evitar práticas caracterizadas pela segregação. Haja vista isso, o papel escolar deve ser voltado à inclusão e à consideração aos estudantes. Logo, além da inserção de disciplinas teóricas e do conteúdo objetivo, a escola deve trabalhar com as diferenças na oralidade do corpo discente e fora dele em sua grade curricular, buscando aprimorar técnicas que ensinam e revitalizam o caráter compreensivo, das divergências linguísticas, não perpetuante na atual conjuntura brasileira.
Além disso, a efetividade, em termos de sanções jurídicas, revela-se complementar à reforma escolar em prol do combate à intolerância da oralidade alheia. Segundo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o preconceito linguístico deveria ser criminalizado uma vez que retira o direito de fala de milhares de pessoas. Por meio dessa perspectiva, interpreta-se que o respaldo a essa causa ser, definitivamente, considerada como um crime pela maioria em vez de uma piada, não apenas assegura o direito da expressividade desses indivíduos, conforme garante a Constituição de 88, todavia também, pune àqueles que discriminativamente consideram-se detentores da norma padrão referente à língua portuguesa.
Face às considerações exploradas, compete ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas públicas, a adoção da matéria de Projetos Integradores à grade curricular do Ensino Fundamental ao Médio, consistindo em filmes, debates e rodas culturais acessíveis à população. Dessa maneira, as noções básicas de diversidade cultural e respeito da língua se tornarão visíveis aos cidadãos brasileiros. Outrossim, do Ministério da Justiça, espera-se o enrijecimento de leis, sob pena de cárcere e multas, aos infratores da liberdade oral alheia, além da disponibilização e divulgação midiática de telefones e sites para denúncias de qualquer ato preconceituoso. Somente assim será possível a construção de um país distante da premissa maquiaveliana.