Preconceito Linguístico

Enviada em 20/10/2018

Nos tempos antigos, os gregos chamavam os povos considerados não civilizados de bárbaros. Esse termo significa ‘‘aqueles que não sabem falar, que balbuciam’’, evidenciando como a língua é um elemento político e ideológico capacitado na segregação social entre aqueles que a dominam e os excluídos. É a partir desse contexto, que o preconceito linguístico no Brasil merece ser estudado.

Primeiramente, é interessante observar o controle social ocasionado por uma língua num estado, pelo fato de que a seleção e a escolha de um idioma como oficial implica, diretamente, na exclusão de outros dialetos. No Brasil colônia, por exemplo, para que o português fosse oficializado, os colonos impediram os escravos de etnias iguais ocuparem o mesmo ambiente, de modo a incentivar o aprendizado da língua portuguesa. Logo, o domínio do idioma no âmbito político e ideológico torna-se evidente.

Hoje, diferente do Período Colonial, o segregacionismo pela linguagem ganhou formas de atuar mais sutis. As grandes emissoras de TV, por exemplo, retratam as falas dos nordestinos de forma grotesca, rústica e atrasada, ocasionando na estereotipação de indivíduos ignorantes.  A partir desse fato, Ariano Suassuna afirmou que a estigmatização do povo do nordeste, pela mídia, é carregada de discriminação. Portanto, a intolerância ocasionada pela língua é ainda presente nos dias atuais.

Considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter o preconceito linguístico. O Ministério da Educação deve investir na formação de docentes, criando novas disciplinas curriculares que discutam o preconceito linguístico nas escolas e preparem de forma apropriada os estudantes de licenciatura. Dessa forma, será possível garantir uma educação que de fato, integra indivíduos e promove a plena construção de conhecimentos. Só então, seremos uma sociedade que promove o banimento do preconceito.