Preconceito Linguístico

Enviada em 20/10/2018

Manchete de grande notoriedade televisiva, o caso do médico brasileiro que corrigiu seu paciente pelo modo de falar na consulta, retrata a problemática do preconceito linguístico no Brasil em geral. Preconceito esse que é fruto de pensamentos sociais arcaicos sobre a tal norma culta e que acaba gerando outro problema, que é a xenofobia linguística contra moradores do interior. Mediante essas questões, torna-se necessário, através de ações públicas, desconstruir o estigma elitizado da língua portuguesa.

A colonização do Brasil no século XVI determinou os moldes sobre certo e errado de como a linguagem seria vista no país. Isso decorre do processo de alfabetização que os jesuítas impunham aos índios como forma de normatizar a língua oficial de Portugal. Esse parâmetro se repete nos dias atuais, visto que a norma culta sorrateiramente é imposta em situações cotidianas para pessoas que não tem muito conhecimento escolar, como por exemplo na ridicularização sobre os erros que ocorre no ambiente da internet. Como consequência, esse padrão da língua serve como forma de hierarquizar pessoas pelo seu modo de falar.

Outro fator acarretado pelo preconceito linguístico são os problemas enfrentados por pessoas do interior em situações de choque cultural. Isso se dá pelo fato de que essas pessoas são vistas como erradas em seu modo de falar e esse estigma os privam de oportunidades quando se deparam com pessoas da “cidade grande”. Essa questão pode exemplificada nos milhares de nordestinos desempregados nas grandes metrópoles brasileiras. Sendo assim, pode-se ressaltar que os esteriótipos causados pelo idioma geram não só problemas de estigma social, como também de ordem econômica.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser realizadas com o objetivo de erradicar o preconceito linguístico no Brasil. Cabe ao Ministério da Cultura em parceria com a mídia, criar propagandas através do meio televisivo com cunho educacional, mostrando os danos causados pelo preconceito linguístico e a importância do respeito com as variações do português ao redor do país, com o objetivo de dar um fim na elitização da língua. É preciso, também, que o Governo Estadual junto com empresas privadas, criem oportunidades de emprego em troca de isenções fiscais para pessoas do interior, com o intuito de diminuir a xenofobia sofrida por esses povos nas metrópoles, mediante o preconceito pelo seu modo de falar.