Preconceito Linguístico

Enviada em 20/10/2018

De acordo com o educador Paulo Freire, não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes. Tendo como base a temática abordada por essa frase, e relacionando-a ao preconceito linguístico, está tácita a necessidade de mitigar atitudes que acentuam a alarmante desigualdade social, como a intolerância e a insuficiência de informação. A priori, a intolerância se constrói devido ao fato de que muitas das variedades da língua estão associadas a grupos de menor prestígio social ou a populações de áreas rurais ou interioranas. Tradicionalmente, grupos de maior prestígio social e econômico que dominam a forma padrão da língua se sentem superiores e no direito de menosprezar, julgar e humilhar o outro por falar diferente, retirando o seu direito de se expressar à sua maneira. Devido a isso, Émilie Durkheim afirma que o homem seria um animal bestial que só se tornou humano na medida em que se tornou sociável. Portanto, usaríamos, irracionalmente e erroneamente, da violência, do preconceito, da exclusão para inibir o crescimento do que não está alinhado com o ideal individual. Outrossim, o sentimento de superioridade de quem domina a língua padrão se deve à falta de informação e reconhecimento das demais variáveis da língua portuguesa, como os demasiados discursos de ódio aos nordestinos na eleição da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2014.Além disso, nas escolas só é ensinada a gramática normativa, e, infelizmente, pouco se fala das variedades linguísticas e o quanto elas são importantes ao integrar a cultura do país, representando diversos povos de diferentes origens. Portanto, para a dissolução do impasse, medidas são necessárias. O Ministério da Educação tem a incumbência de atualizar o PNE (Plano Nacional de Educação), com o intuito de reformular e atualizar a metodologia do ensino em geral da Língua Portuguesa, valorizando a diversidade e os regionalismos linguísticos, para que o jovem, ao iniciar os estudos, possa compreender as variantes desde a infância. E também cabe a Secretária de Educação, usando da mídia, palestras e oficinas, incentivar a denúncia aos casos de violência por preconceito linguístico.