Preconceito Linguístico

Enviada em 23/10/2018

Segundo o Existencialismo, doutrina filosófica surgida na França, no século XX, a liberdade de escolha é refletida nas condições de existência do ser. Portanto, cabe ao homem ser responsável por suas atitudes. Porém, no Brasil, em pleno século XXI, isso não passa de uma teoria, visto que o preconceito linguístico está em evidência - o que explicita a ausência de Políticas Públicas para a formação plena do cidadão.

No Brasil, indubitavelmente, existe medida do governo para amenizar os elevados casos de preconceito linguístico. Pode-se mencionar, por exemplo, a Constituição Federativa vigente no país, cujo objetivo – dentre outros direitos- é assegurar a todo e qualquer cidadão, a liberdade de expressão de se manifestar, buscar e receber as mais variadas informações. Isso, de certa forma, demonstra que o Estado já intenta contemplar as ideologias do Existencialismo.

Medida pontual como essa, contudo, não é suficiente para atenuar os altos índices de preconceito linguístico presentes no Brasil, pois, devido à diversidade cultural existente no país- que além de possibilitar conflitos, pode comprometer o convívio social-, o que se observa, na maioria das camadas sociais da nação, são níveis alarmantes de intolerância às diferenças linguísticas e à discriminação, motivados, principalmente, pela cisma social e regional, como o que ocorre em favelas e comunidades. Percebe-se, pois, as consequências da fragilidade da educação oferecida à maior parte da sociedade, que não preparara os indivíduos para exercerem, de fato, sua cidadania. A verdade é que, o preconceito linguístico no Brasil não será atenuado, enquanto o Estado não pautar a educação na responsabilidade de forma que contribua para o convívio em sociedade, afinal: “O homem é condenado a ser livre, porque depois de atirado neste mundo torna-se responsável por tudo que faz”, diz o filósofo francês existencialista Jean-Paul Sartre.

Depreende-se, pois, que há a necessidade de investimentos no Ensino Básico – o que já é assegurado pela Lei de Diretrizes e Bases, n°9.394/96. Para tanto, é plausível que o Estado, através do Ministério da Educação, não só contemple os componentes curriculares de Formação Cidadã e Variação Linguística, mas também – em parceria com a Escola- desenvolvam em comunidades, palestras e campanhas publicitárias, que contemplem o cenário da disparidade linguística, com a finalidade de atenuar o preconceito linguístico presente na realidade brasileira. Se assim for feito, a maior parcela da nação desfrutará dos princípios defendidos pelo Existencialismo.