Preconceito Linguístico

Enviada em 20/10/2018

É indubitável que a construção da língua portuguesa no Brasil deu-se em detrimento de aspectos históricos e socioculturais, visto que esta é uma adjeção de palavras oriundas do tupi guarani, português e expressões do continente africano. Nesse sentido, é imprescindível que o preconceito linguístico seja combatido, pois o Brasil possui facetas multiculturais em seu idioma.

A observação crítica de fatos históricos revela a intolerância quanto às variantes da fala em diferentes regiões do país. Durante o processo colonial, os portugueses consideravam a língua vigente dos indígenas atrasada e inferior, obrigando-os a aprender o português e desprender-se de suas origens culturais até então difundidas por gerações. O resultado do processo colonizador no âmbito do dialeto nacional foi, sobretudo, a criação de um idioma marcado por miscigenação e variantes, sendo que estas existem até hoje no país, em diferentes regiões e contextos.

É válido ressaltar um caso hodierno e amplamente divulgado, acerca do médico Guilherme Capel, que publicou foto brincando com a maneira de falar do pacientes do Hospital Santa Rosa de Lima, em Serra Negra. O Jovem redigiu em um receituário a frase: “Não existe ‘peleumonia’ e nem ‘raôxis’ “, zombando do dialeto de um paciente que o doutor havia atendido mais cedo. A discriminação recorrente em consultórios médicos concerne o distanciamento gradual entre os indivíduos, em razão de seu nível acadêmico, e por conseguinte há a perpetuação constante das práticas discriminatórias e do ideal de superioridade baseado no conhecimento da norma culta, desconsiderando os aspectos regionais e multiculturais que a língua possui.

Conforme o escritor e linguista Marcos Bagno, “É preciso que os professores se conscientizem e não sejam eles mesmos perpetuadores do preconceito linguístico e da discriminação. Preconceito mais antigo que o cristianismo, a língua desde longa data é instrumentalizada pelos poderes oficiais como um mecanismo de controle social.”  Não obstante, é possível averiguar os casos de discriminação ocorridos na escola, com alunos recém chegados de algum estado que possua expressões diferentes do qual o estudante esteja residindo. Ademais, os educadores devem inibir tais comportamentos, que são vexatórios e dificultam a inserção social do lecionando recém chegado.

Levando em consideração os aspectos supracitados, é necessário que o Ministério da Educação empenhe-se em cartilhas de conscientização nas escolas, com a finalidade de extirpar o preconceito linguístico desde as séries iniciais do ensino fundamental. Ao Judiciário cabe a missão de criar uma plataforma online, onde os cidadãos possam denunciar casos de preconceito que venham sofrido, para que as punições sejam efetivas, e as práticas discriminatórias desenraizadas do comportamento social.