Preconceito Linguístico

Enviada em 20/10/2018

Nas primeiras décadas do século XX, diversos escritores importantes iniciaram o movimento modernista no Brasil, que dentre outras coisas, destacava a multiculturalidade do país e valorizava as variações linguísticas das regiões brasileiras. Nesse momento, havia a impressão de que as variadas formas de comunicação seriam mais respeitadas e que isso representaria um avanço para a sociedade. Todavia, passados cerca de 100 anos, o preconceito linguístico ainda existe e caracteriza uma forma de retrocesso educacional brasileiro.

Nesse sentido, compreende-se que preconceito linguístico é o fato de considerar determinada forma de comunicação inferior à outra. Segundo o linguista Marcos Bagno, esse preconceito é uma forma de imposição da gramática sobre qualquer grupo ou comunidade que não se comunique de acordo com as normas padronizadas da língua portuguesa. Logo, esse tipo de violência está presente na sociedade brasileira e isso configura-se como um problema social do país.

Em meados da década de 1530, os portugueses decidiram iniciar o processo de colonização do Brasil e, para isso, começaram a praticar escambo e escravidão com os indígenas. Nesse cenário, o contato entre europeus e ameríndios representou uma forma de imposição da língua ´portuguesa, visto que existiam milhares de idiomas indígenas que não foram respeitados e, devido a isso, grande parte foi extinta. Logo, o preconceito linguístico está presente no território brasileiro desde os tempos de colonização e isso explica a origem desse problema..

Por conseguinte, assim como qualquer forma de preconceito, o desrespeito linguístico pode causar diversos malefícios para a vítima, como exclusão e depressão. Com isso, entende-se que, seja regional, escolaridade ou idade, as " brincadeiras " e agressões verbais às pessoas que se comunicam de maneira própria ao seu contexto não são saudáveis e devem ser evitadas no país.

Portanto, conclui-se que o preconceito linguístico existente no Brasil representa um problema à sociedade. O Ministério da Educação deve organizar e propor aos professores de língua portuguesa a realização de palestras nas escolas que, com depoimentos desses especialistas, conscientizem os alunos de que existem diferentes formas de diálogo e cada uma está adequada a seu contexto. Ademais, o Governo Federal deve criar propagandas em TV, rádio e internet que, da mesma forma, mostrem aos adultos as variantes da língua portuguesa e suas riquezas culturais. Como consequências dessas ações, a conscientização popular será maior e isso beneficiará