Preconceito Linguístico

Enviada em 19/10/2018

O livro Cidadão de papel, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas sociais que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que o preconceito linguístico afeta a sociedade como um todo e o direito, garantido por lei, de se viver dignamente. Portanto, para entender esse cenário, faz-se necessário discutir acerca dos empecilhos que contribuem para essa problemática.

Inicialmente, é importante ressaltar que o preconceito linguístico possui raízes históricas, haja vista que no período da colonização o povo europeu quis impor sua língua aos nativos, pois acreditavam que a sua forma de falar era superior e mais adequada. Ademais, outro fator importante a relatar como causa é a mídia, a qual propaga em diversos programas uma ironia em relação aos sotaques, sempre abordando de forma inferior.

Desse modo, vale fazer uma analogia ao movimento Parnasiano, o qual valorizava o alto rigor formal, tal fato promove, indiretamente, a exclusão de parte da população leitora que possui baixo nível de escolaridade e tem dificuldades para dominar a norma culta. Assim sendo, pode-se observar que a principal consequência de tal problema é a exclusão social, fato que deve ser combatido.

Destarte, a adoção de medidas cujo objetivo seja contornar essa realidade torna-se imprescindível. Portanto, é essencial que o Ministério da Educação em conjunto com as escolas promovam palestras para apresentar as variantes linguísticas, para que quando um aluno deparar-se com uma pessoa que fala “diferente” não julgue-a, evitando a ocorrência da exclusão social. Em adição, é importante que a mídia desconstrua essa visão estereotipada que ela mesmo produz, para isso, é importante que aconteça a criação de programas que visam contra essa ideia pejorativa. Somente assim, notar-se-á uma população livre do preconceito linguístico e respeitada por suas diferenças.