Preconceito Linguístico
Enviada em 30/10/2018
Segundo o IBGE, no ano de 1500 existiam cerca de 1400 tribos no Brasil que dominavam cerca de 1300 idiomas diferentes. Com a chegada dos colonizadores, a miscigenação não foi apenas racial, mas envolveu todos os aspectos, inclusive o cultural e linguístico. As figuras indígenas, e posteriormente, africanas, que deram origem a nossa língua, foram marginalizadas devido a nossa realidade de colônia escravista, e no século XVIII chegou-se a proibir o uso da língua geral, como eram chamadas as línguas originais, já revelando a raiz do preconceito linguístico que, até hoje, é causa de sofrimento e segregação.
O preconceito pode revelar-se através de inúmeras maneiras, entre elas a estereotipagem de determinados públicos, onde o uso quase caricatural de sotaques e trejeitos de personagens televisivos que representam, por exemplo, figuras camponesas e nordestinas, revelam que ainda vivemos o passado. Apesar de importante, o uso da regra gramatical muitas vezes passa a ser munição para ataques sob a forma de preconceito linguístico, em que a pluralidade e regionalismos são esquecidos, restando apenas a norma padrão, julgada mais adequada.
O uso risível da linguagem normalmente é utilizado para representar grupos mais frágeis economicamente, que são associados unicamente ao humor, o que provoca a descaracterização de quem a utiliza. Tornar esse público o motivo do riso, deixa sua parca condição financeira em segundo plano, resumindo-o apenas a uma figura humorística, que não permite o criticismo. Também se torna comum a segregação, em que determinados grupos intitulam-se detentores do conhecimento, transformando os demais em agentes unicamente passivos, que devem ser padronizados à sua imagem e semelhança, e nesse caso em específico, à sua língua.
É imprescindível que o respeito faça parte da agenda do poder público, através de campanhas publicitárias governamentais, que tenham por objetivo imbuir e valorizar a pluralidade linguística de nosso país. Aulas que valorizem a identidade cultural e raízes de nossa língua também podem ser implementadas no currículo escolar pelo Ministério da Educação. Atividades extracurriculares em ambientes relacionados à língua, como o Museu da Língua Portuguesa, também podem ser implantadas em escolas ou até mesmo no ensino superior. Pesquisas ligadas a etimologia, e à etnografi, tendo como base a antropologia, podem ser incentivados através de bolsas de estudo em universidades, e através de prêmios da Academia Brasileira de Letras. Com as medidas citadas, podemos aproximar a população brasileira de suas origens, e torna-la orgulhosa de sua multiplicidade.