Preconceito Linguístico
Enviada em 23/10/2018
No limiar do século XXI, o preconceito linguístico configura um lamentável problema social que assola o cotidiano da sociedade pós-moderna. Embora se conheça mecanismos de inibição para a propagação destas, a violação da integridade social acontece de modo velado e dissimulado. Nesse ínterim, analisa-se que a intolerância as diferenças linguísticas demandam preocupação constante, haja vista que são máculas inerentes ao Brasil oriundas de dois aspectos que se designam relevantes: a discriminação regional e a crença de que existe uma língua superior. Diante disso, faz-se necessário ponderar os motivos dessa ultrajante situação que vigora no país.
A princípio, percebe-se que o preconceito linguístico se deve a questões de discriminação regional. Sob a perspectiva do linguista brasileiro Marcos Bagno, não há erros linguísticos, o que existe são inadequações da linguagem. Partindo desse pressuposto, verifica-se que muitos indivíduos são submetidos a situações intimidadoras, por medo da ridicularização dos seus respectivos dialetos, o que constitui uma problemática amplamente vivenciada, principalmente, por nordestinos. Nesse âmbito, conclui-se que a sociedade deve compreender que uma linguagem diferente não é sinônimo de errada, apenas deve ser aplicada de acordo com a ocasião exigida, tal como defendido por Bagno.
Outrossim, é importante salientar a convicção da existência de uma língua soberana como intensificador do impasse. Segundo o linguista suíço Ferdinand de Saussure, considerado o pai da linguística moderna, a língua sofre constantes mutações, ou seja, se modifica ao longo do tempo. Devido a isso, observa-se que o idioma português é formado pela miscigenação de outras línguas, em decorrência das inúmeras influências resultantes da colonização. Por esta razão, a ideia de que existe uma língua superior é completamente equivocada, visto que a língua portuguesa é marcada pela presença de diversidades que não simbolizam hegemonia, já que é apenas o reflexo da sócio interatividade.
Infere-se, portanto, que a intolerância as diferenças linguísticas devem ser erradicadas. Sendo assim, cabe ao Ministério das Comunicações extinguir as banalizações da linguagem presente nas mídias, mediante a disseminação positiva dos diferentes dialetos por meio de campanhas contra o preconceito linguístico nas redes sociais e mídias televisivas. Destarte, os pedagogos de Língua Portuguesa devem realizar uma orientação do aprendizado, por meio de aulas sobre as diferentes formas de expressão e a relevância de adequar a linguagem ao contexto, a fim de proporcionar a internalização de conhecimento em relação as diferentes variações da linguagem e a importância de respeita-las. Assim, será possível construir uma sociedade mais ética e tolerante.