Preconceito Linguístico

Enviada em 19/10/2018

De acordo com os ideais iluministas, só haverá progresso de uma sociedade quando os indivíduos se mobilizarem uns para com os outros. Por conseguinte, toda forma de discriminação se constitui um retrocesso social. Destarte, no que diz respeito ao preconceito lingüístico, ainda no século XXI, as modificações léxicas em todo o território brasileiro são alvos de uma hostilidade persistente, o que redunda em desrespeito e exclusão. Assim, em vista de se constituir um entrave na sociedade atual, é imprescindível a sua abordagem, bem como de seus efeitos e a busca de soluções para combatê-la.       Nesse contexto, as diferentes formas de falar são oriundas do processo de colonização por diversos povos em momentos históricos diferentes. Como exemplo, além dos portugueses, tem-se a imigração de italianos, alemães e espanhóis para a região Sul, enquanto no Nordeste, mais especificamente, em Pernambuco, ocorreu a influência dos holandeses e o contato com as línguas indígenas e africanas. Contudo, mesmo com a riqueza e dinamismo da língua nacional, são comuns situações de intolerância, por meio de atitudes jocosas e irônicas, aos indivíduos que se expressam de modo singular e diferente do grupo em que está inserido.

Dessa forma, a fim de fomentar a valorização às diferentes culturas locais, Getúlio Vargas criou uma política nacionalista e implantou a Reforma Ortográfica em 1943. Adicionou, assim, à Variante Padrão da Língua Portuguesa palavras indígenas, além daquelas usadas por populações rurais. Porém, ainda hoje são vistas como inferiores essas linguagens e essas pessoas. Além disso, pode-se mencionar também, o movimento Modernista, que por meio da Semana da Arte moderna em 1922, a fim de combater a supervalorização das normas consideradas cultas, produziu obras de cunho social, sendo observada a variedade lingüística no país. Dessa forma, é importante ressaltar que não existe sotaque nem linguagem melhor que outra, pois cada um destes faz parte de nosso patrimônio cultural e é necessário para a formação da nossa identidade.

Portanto, faz-se mister a busca de alternativas para banir esse tipo de rejeição e exclusão. Para isso, torna-se imprescindível que o Ministério da Educação (MEC) em parceria com as escolas fomente a alteração da grade curricular desde o ensino fundamental até o ensino médio, por meio da elaboração e adição aulas que mostrem a riqueza e diversidade de cada cultura local, a fim de garantir uma formação educacional menos excludente. É necessário também que a mídia televisiva introduza com mais respeito o linguajar dos diversos Estados do país, por meio de novelas, séries e comerciais que não ridicularizem nenhum tipo de sotaque. Desse modo, estarão presentes em diversas camadas sociais e localidades atitudes de aceitação, empatia, inclusão e altruísmo.