Preconceito Linguístico
Enviada em 19/10/2018
A colonização brasileira pelos portugueses, iniciando em 1530, dominou o território mas não o fez com a forma de se comunicar que os índios, residentes em nossas terras na época, possuíam. Se os atributos violentos antepassados não fizeram com que os indígenas se expressassem de uma mesma forma com os portugueses, essa dominação linguística não pode acontecer hoje e nos fazer reféns de uma única forma de dialogar.
O Brasil é rico em diferenças culturais e na miscigenação do idioma de região para região. Viajar do sul ao nordeste deixa notória a diferença linguística: a ‘‘bergamota’’ do gaúcho é a fruta ‘’tangerina’’ do pernambucano.
Essa diferença, no entanto, não está somente na utilização de palavras distintas para representar uma mesma coisa, mas na forma com que as palavras são emitidas. Os sutaques permitem a expressividade única dos Estados e fenômenos como o rotacismo - distúrbios articulatórios que permitem a troca do ‘‘r’’ pelo ‘’l’’ - são frequentes e retratam a comum diversidade da oratória em um país culturalmente diversificado.
O comediante nordestino Winderson Nunes faz vídeos para o site youtube, onde sempre retrata a diversidade linguística utilizando termos como ‘‘cabra macho’’ para descrever um ‘‘homem corajoso’’ e, de acordo com o próprio site, o youtuber é assistido por pessoas em várias regiões, fazendo com que os termos do seu Estado alcancem o país.
É evidenciado, portanto, que o Brasil possui resquícios de sua colonização, com as peculiaridades da oratório indígena frente a imposição linguística de Portugal. Dessa forma, é necessário que o Estado promova vias para tornar patrimônio cultural o dialeto linguístico e assim, tenham valores notáveis. Além disso, é importante que familiares ensinem suas crianças sobre respeito e valores da diversidade de comunicação, uma vez que ensinados na base da sociedade, possibilitarão um futuro com mais aceitação.