Preconceito Linguístico

Enviada em 19/10/2018

A semana de Arte Moderna — evento que ocorreu em 1922 — rompeu com o academicismo ao trazer uma linguagem popular em suas obras. O poema “Vício na fala”, de Oswald de Andrade, marca as diversas variações linguísticas presentes na gramática normativa brasileira. No entanto, é notório que haja um juízo de valor da população culta quando se diz respeito do desvio da norma padrão. Portanto, não é aceitável que a questão do preconceito linguístico continue sendo tratada com descaso.

Em primeira instância, vale ressaltar que o assédio linguístico é incondizente com a história do país. A colonização dos portugueses e a chegada dos povos europeus promoveram as variações da lingua. Por isso, negar tal diversidade corrente é a tentativa frustrada e purista de negar o fato: a língua é viva e passível de mudança, tal qual seus falantes. Ademais, a discriminação de um grupo social em decorrência do seu patrimônio cultural configura um caráter etnocentrista. Diante disso, ficam evidentes a inconsistência do preconceito e a necessidade de proposição de políticas públicas a fim de que se erradique essa problemática.

Em segunda análise, a influência das redes sociais e os efeitos da globalização no século XXI acabam por contribuir para as marcas de coloquialidade, gírias e dialetos, com o escopo de se estabelecer um diálogo rápido entre os falantes. Segundo Bechara — membro emérito da Academia Brasileira de Letras — cada qual deve ser poliglota em sua própria língua, isto é, não é necessário pensar em correções ou incorreções gramaticais, mas em adequação às situações de fala. Dessa forma, fica evidente que o papel essencial da lingua é a clareza na transmissão de mensagens.

Por fim, para que todos os brasileiros passem a ser considerados poliglotas. O Ministério da Educação (MEC), em conjunto com a mídia, deve promover a descentralização da variante metropolitana em horário nobre ou em situações importantes e de repercussão nacional, como por exemplo os telejornais, contemplando a diversidade, para que a maioria dos brasileiros seja representada. Outrossim, o mesmo órgão deve apresentar palestras nas escolas acerca da riqueza cultural e histórica brasileira aos corpos docentes a fim de destrinchar alunos capazes de respeitar os variados registros. Desse modo, se criará um país próspero com respeito mútuo.