Preconceito Linguístico

Enviada em 22/10/2018

Durante o período Modernista, movimento artístico e literário iniciado no século XX, com o objetivo de romper o vocabulário rebuscado dos períodos literários anteriores, os artistas buscavam representar na literatura uma linguagem coloquial considerada mais “brasileira”. Embora date século passado, a busca por um dialeto seguindo a gramática normativa ainda permanece na sociedade e desencadeia, por sua vez, o preconceito linguístico. No entanto, a intolerância por parte de algumas camadas sociais e a primazia da língua padrão sobre as variedades linguísticas nos âmbitos escolares, dificultam a resolução dessa problemática, o que configura um grave problema social.

Nesse contexto, é importante salientar que, segundo Zygmunt Baum, sociólogo polonês, o individualismo é uma das principais características da pós modernidade. Logo, é válido analisar que a falta de empatia por parte daqueles que acham errado qualquer variante da língua que seja diferente da norma culta, influi decisivamente para o aumento da intolerância linguística, uma vez que os mesmos não analisam as questões regionais, como os sotaques, e as sociais, como o nível de escolaridade, presentes na sociedade. Tal realidade é ratificada ao analisar o caso do médico, Guilherme Capel, que chasqueou de um paciente na Internet por não saber falar corretamente.

Outrossim, é cabível enfatizar que consoante a Marcos Bagno, escritor do livro Preconceito Linguístico, a gramática passou a ser um mecanismo ideológico de poder e de controle de uma classe social dominante sobre as outras. Partindo desse pressuposto, nota-se que as escolas contribuem para a intensificação dessa ideia, visto que a mesma dão ênfase ao ensino centrado na gramática e impossibilita que o corpo discente tenha acesso ao conhecimento das variedades linguísticas. Assim, a função da escola, que é proporcionar aos alunos a interação social, privilegia as classes dominantes, reforçando, dessa maneira, o preconceito e a ideologia predominante.

Sendo assim, é indispensável a adoção de medidas capazes de assegurar o respeito linguístico. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as instituições escolares, promoverem palestras que visem repassar aos educandos as diferenças dialéticas presentes nas regiões do Brasil, e explicar, para os mesmos, a importância do respeito em relação às mesmas. Além disso, as escolas devem implementarem uma semana da variação linguística com o intuito de visar as diferenças da língua. Paralelamente, a mídia social, juntamente com a televisão e rádio, deve trabalhar na disseminação de vídeos e campanhas educativas com o fito de desconstruir o conceito de certo ou errado em relação ao modo de falar, para que, dessa forma, os variantes linguísticos deixem de ser um cenário de repressão e exclusão, e passem a serem conhecidos e respeitados