Preconceito Linguístico

Enviada em 20/10/2018

Após a Semana de Arte Moderna, em 1922, a linguagem popular adentra no mundo artístico. Oswald de Andrade, por exemplo, valoriza a linguagem coloquial e livre de regras gramaticais,nítido no poema “Vício da fala”, como forma de inovação e crítica ao preconceito linguístico. Entretanto, nos dias atuais, esse preconceito vem se tornando mais recorrente, principalmente nas redes sociais, além de ser uma forma velada de perpetuação de outros preconceitos. Por isso, é necessário debater sobre o tema e analisar os impactos dessa problemática na sociedade.

Em uma primeira análise, vê-se que preocupações associadas à intolerância com a variação linguística, principalmente por diferenças sociais, não apenas existem como vem crescendo a cada dia. Diante do exposto, é preciso buscar as causas dessa questão, entre as quais, emerge como a mais recorrente s relações sociais de poder na sociedade. Isso acontece principalmente em virtude de pensamento preconceituosos baseados na associação de uma fala fora da norma padrão com a pobreza ou baixa escolaridade. Em defesa dessa assertiva, cabe citar o caso do médico Guilherme Capel que debochou de sua paciente que dizia “peleumonia” e “raôxis”. Uma consequência direta disso é o sentimento de inferiorização, isolamento e ofensa de uma camada da população.

Ademais, é válido citar que a língua é uma forma de identidade de um povo e não respeitá-la é menosprezar uma cultura. Um exemplo desse preconceito é o que vem acontecendo nas redes sociais sobre as eleições de 2018, em que pessoas debocham dos nordestinos nas redes sociais por não saberem falar corretamente o nome do seu próprio presidente à presidência. Sendo assim, mais uma vez, o preconceito linguístico traz consigo uma estereotipação de uma camada populacional e a falta de respeito à um povo.

Diante da problemática do preconceito linguístico na sociedade brasileira, medidas devem ser tomadas para reverter tal cenário. Sendo assim, cabe às instituições de ensino com proatividade o papel de deliberar acerca desse assunto com palestras elucidativas, por meio de dados estatísticos e depoimentos de pessoas envolvidas com o tema, para que a sociedade civil não seja complacente com essa forma de preconceito. Ademais, ao Pode Público cabe fortalecer políticas para combater esse preconceito, estendendo ações como o livro  de Marcos Bagno “Preconceito Linguístico” a fim de formar multiplicadores de prevenção ao preconceito. Por fim, aos órgãos midiáticos cabe debater o assunto em novelas e filmes, além de divulgar a lei do Marco Civil da Internet que pune qualquer ato de preconceito linguístico ocorrido, para que, no futuro, o Brasil acabe com essa problemática e exista respeito às diferenças.