Preconceito Linguístico
Enviada em 18/10/2018
Na mitologia grega, Procusto submetia os itinerantes que albergava em sua casa a deitar-se em uma cama. Aqueles que não coubessem no leito eram esticados ou cortados até se encaixarem perfeitamente. Na contemporaneidade, esse mito assemelha-se a situação de intolerância da sociedade brasileira, haja vista que o preconceito linguístico vigora no país. Assim, para solucionar esse quadro, os fatores que o favorecem devem ser analisados.
Mormente, vale ressaltar que o problema possui raízes sociais. De acordo com Marcos Bagno, autor do livro “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz”, o problema não está no que se fala, mas em quem fala. De maneira análoga ao pensamento do escritor, é possível perceber que as variantes linguísticas discriminadas são as proferidas pela população com menor poder aquisitivo, enquanto as consideradas “corretas” são enunciadas pela elite. Logo, torna-se necessário desconstruir esse estigma consolidado na sociedade.
Outrossim, destaca-se a escola como perpetuadora dessa conjuntura. Nos quadrinhos do escritor Maurício de Souza, o personagem Chico Bento era corrigido, com constância, pelo seu dialeto característico do meio rural. Entretanto, fora dos gibis, a situação não é diferente, pois alunos são frequentemente repreendidos em meio escolar devido ao uso de uma linguagem diferente da norma culta, virando alvos de deboches dos colegas. Dessa forma, o sistema educativo transfigura-se em um meio de opressão, agravando o problema no país.
Diante dessa perspectiva, o Governo Federal, aliado às esferas Estadual e Municipal do poder, deve criar uma cartilha contra o preconceito linguístico, abordando as diferentes situações em que ele ocorre e enfatizando a pluralidade de dialetos existentes na nação, para que a população não seja complacente com essa forma de discriminação. Ademais, é importante que as escolas apresentem, por meio de aulas e peças teatrais, as variedades linguísticas, a fim de desconstruir a rejeição existente com os indivíduos que não fazem uso da norma-padrão ao falar. Destarte, essa adversidade será superada e o Brasil distanciar-se-á do mito de Procusto.