Preconceito Linguístico
Enviada em 17/10/2018
Em A República, Platão desenvolve um modelo de sociedade perfeita, livre de adversidades. Todavia, tendo em vista a problemática do preconceito linguístico, é notável que sua utopia não condiz com a realidade brasileira. Nesse sentido, cabe a reflexão acerca do tema, que é uma contrariedade e se mantém seja pela ineficiência educacional, seja pela mentalidade social brasileira.
Em primeiro plano, é indubitável que a ineficiência educacional esteja entre as causas do problema. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por organizar a sociedade e garantir-lhes o que é necessário para viver com qualidade. Em contraposição ao postulado filosófico, o Governo Brasileiro se mostra inoperante nesse aspecto, visto que esse é incompetente em dar educação de qualidade a todos. De certo isso acontece, pois, ao investir minimamente em políticas para a manutenção e melhora educacional, o órgão deixa brechas para a ocorrência do analfabetismo funcional no país, um dos maiores embriões ao preconceito linguístico, visto que se trata de uma diferenciação social relevante.
Em segunda análise, a mentalidade social se mostra como outro fator para a ocorrência do problema. Segundo o filósofo Francis Bacon, o comportamento humano é contagioso. Em acordo com o postulado filosófico, o preconceito linguístico, conforme permanece a ser reproduzido, torna-se enraizado e frequente na sociedade. Isso ocorre pois, haja vista a relevância da gramática, os indivíduos valorizam determinadas formas de fala e escrita presentes na norma padrão, frequentemente as reproduzindo e negando as linguagens que tangenciam essa forma. Dessa maneira, os indivíduos perpetuam o preconceito linguístico desvalorizando qualquer variação que tangencia a norma, seja ela diacrônica, seja diatópica.
Tendo em vista os argumentos apresentados, é evidente que há entraves para que haja a desconstrução do preconceito linguístico no país. Dessa forma, cabe ao Estado o maior investimento ao Ministério da Educação, que seria responsável por implementar o capital nas escolas brasileiras, objetivando a melhoria educacional a todos. Além disso, caberia ao mesmo órgão a implementação de novas aulas como obrigatórias, que incluiriam os tipos de variações linguísticas com o passar da história e como isso influenciou a criação de uma língua tipicamente brasileira. Esses assuntos seriam ensinados nos ensinos fundamental e médio, com o intuito de desconstruir a negação das variações linguísticas, como as diacrônicas e diatópicas. Dessa maneira, o preconceito linguístico diminuiria paulatinamente e a possibilidade de criação de uma sociedade platônica aumentaria.