Preconceito Linguístico
Enviada em 17/10/2018
Na obra literária “Casa grande e senzala”, de Gilberto Freyre, o autor afirma a multiculturalidade como precursora da identidade nacional. Contudo, quando se observa o entrave promovido pelo preconceito às diferentes variações linguísticas, no Brasil, atualmente, percebe-se que isso não ocorre na prática e a problemática segue profundamente atrelada à realidade do país, seja por raízes educacionais, seja pela influência da mídia. Nesse viés, é necessário encontrar subterfúgios para mitigar tal contrariedade.
Inicialmente, segundo a obra “Modernidade Líquida”, do sociólogo Zygmunt Bauman, o mal-estar causado pela pós-modernidade suscita o individualismo e, consequentemente, a propagação de ódio. Nesse aspecto, tal ideal verifica-se no âmbito social, na medida em que a escola não promove medidas inclusivas entre as diferentes variações linguísticas, já que provê aulas de linguagem normativa, contudo não fornece instruções de comunicação oral.
De modo análogo, tal vicissitude sofre influência da mídia. Para o contratualista Jhon Locke: “o ser humano é como um quadro branco que é preenchido de acordo com suas influências”. Prova disso são as constantes menções às variações nordestinas que são subjugadas por um padrão paulista ou carioca nas novelas, por exemplo. A televisão é o meio de propagação social que alcança mais pessoas, por isso, deve-se reverter o quadro supracitado.
Depreende-se, portanto, que a multiculturalidade sofre entraves devido ao preconceito linguístico. Por essa razão, o Ministério da Educação, em parceria com canais midiáticos, deve promover aulas de comunicação oral, por meio de mudanças nas diretrizes curriculares das aulas de Língua Portuguesa, com o intuito de valorizar as diferentes regionalidades brasileiras e reduzir a individualidade causada pela pós-modernidade. Dessa forma a sociedade será vigorosamente influenciada de forma a atenuar o problema e tornar o meio social igualitário para todos.