Preconceito Linguístico
Enviada em 17/10/2018
Os ideais da Revolução Francesa,inspirados no iluminismo,tinham como vertentes a liberdade, a igualdade e a fraternidade.No Brasil hodierno,entretanto,ao observar a discriminação linguística, deduz-se que a aspiração francesa,apesar de atraente,possui pragmatismo limitado e a problemática perpetua no cotidiano seja pela herança histórica, seja pela insciência de brasileiros sobre as diferentes formas de comunicação.Dessa forma,ressalta-se que a postura inerte do povo instiga o retardo na sociedade.
Mormente, ao avaliar o preconceito linguístico por um prisma estritamente histórico, notabiliza-se que o olhar diferenciado dos colonizadores portugueses para as delimitações do espaço brasileiro culminou nas visíveis desigualdades regionais e sociais.Paralelamente na atualidade, percebe-se que o sentimento de superioridade e o conflito xenofóbico entre as regiões do país foi fundamentado sob esse contexto.Desse modo, são bastante comuns práticas discriminatórias em relação ao maneirismo linguístico existente, as quais são facilmente identificadas no meio profissional e virtual.
Outrossim, a ignorância é também um fomentador do impasse, haja vista que boa parte da população é insciente quanto as variações linguísticas, bem como, a importância da linguagem para um indivíduo. O renomado geógrafo Milton Santos pontuava que uma sociedade alienada é aquela que só enxerga o que separa, mas nunca o que une seus membros. Sob essa perspectiva, é factível dizer que o conhecimento torna-se imprescindível no combate ao preconceito, tendo em vista que o brasileiro terá maior compreensão da diversidade cultural e étnica do país, assim como maior tolerância.
Por conseguinte, infere-se que o preconceito linguístico é produto da estagnação populacional frente à adversidade. Diante disso, cabe ao Governo Federal, por intermédio dos meios midiáticos, divulgar casos de pessoas que sofrem com hostilidades nas redes sociais e no ambiente de trabalho devido ao dialeto. Deve, ainda, propiciar o ensino de variação linguística nas escolas com ênfase no preconceito,por meio de professores de língua portuguesa, a fim de transmitir aos jovens que não existe uma forma correta ou soberba de pronúncia. Por fim, tais medidas postas em prática fariam jus ao século das luzes.