Preconceito Linguístico

Enviada em 17/10/2018

“A língua é como um rio que se renova”. Essa concepção do linguista mineiro Marcos Bagno permite-se ponderar sobre como o preconceito linguístico representa uma adversidade a ser enfrentada de maneira mais firme pela malha social. Nesse sentido, cabe analisar as principais consequências desse impasse no âmbito social e psíquico.

Em primeiro plano, convém ressaltar que, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo, cerca de 23,7% da população brasileira já sofreu algum repúdio por conta de erros ortográficos ou até mesmo de pronúncia. Nessa perspectiva, destaca-se as condições sociais, a variabilidade regional e as diferenças culturais, como sendo os principais motivos para que esse percentual permaneça em alta, uma vez que, tais pretextos causam indiferenças entre os indivíduos de vivências distintas. Visto isso, é inaceitável que uma nação em pleno desenvolvimento não reveja seu método de gramática normativa nas escolas, que se encontra defasada pelo o tempo e o renovo da malha social.

De outra parte, um prejulgamento linguístico pode acarretar na vítima aquilo que o psicanalista Freud já dizia em seu texto “Luto e Melancolia”, de 1917, a chamada neurose mental. A esse respeito, o autor relata que um indivíduo ao sofrer uma injúria, sendo ela pessoal ou coletiva, consequentemente trará para si a culpa por tal fato ter ocorrido, o que neste caso pode-se associar com uma rejeição do modo de falar ou escrever de um indivíduo, em que o mesmo assumiria a responsabilidade e se martirizaria por isso. Com efeito, é inadmissível que os agressores não tenham punições jurídicas por tal crime a saúde mental da sociedade.

Diante do exposto, entende-se que o preconceito linguístico requer ações mais concretas para serem atenuadas. Sob esse viés, o Ministério Público deve realizar medidas para que a população se aproprie das questões inerentes a esse tipo de descaso, através de campanhas midiáticas que visem atingir em especial a juventude, e então, conter o avanço de indolências. Desse modo, espera-se minimizar as prenoções linguísticas.