Preconceito Linguístico
Enviada em 24/10/2018
Mazzaropi, durante o século XX, tipificara o “jeito caipira” brasileiro ao produzir comédias marcadas por uma linguagem própria e aceita nos cinemas das capitais entre risadas e escárnios. Em consoante, hodiernamente, o preconceito linguístico tem se mostrado presente entre o convívio social em decorrência da ausência de medidas que modifiquem o cenário retratado. Nesse sentido, algo deve ser feito para alterar tal situação, a qual vilipendia direitos constitucionais de milhões de brasileiros e permanece ligada à realidade do país, principalmente, pela ineficácia de políticas e pela intolerância constantemente difundida pela sociedade.
A princípio, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estão entre as causas do problema,uma vez que em seu Art. III define como dever da república a construção de uma sociedade livre de preconceitos, entretanto, rompe tal harmonia ao manter inalterada a situação retratada. Atrelado ao exposto, segundo Aristóteles, a política deve ser aplicada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Tese a qual não tem sido colocada em prática na realidade de brasileiros que diariamente são caracterizados como “mal falantes” do idioma, quando na verdade cumprem a função da linguagem da comunicação, entretanto, ligada à aspectos como o regionalismo.
Outrossim, a intolerância difundida na sociedade é fruto do pseudo conceito que a linguagem é universal, invariante e estática. De acordo com Marcos Bagno: “A língua é um enorme iceberg flutuando no mar do tempo, e a gramática normativa é a parcela mais visível dele”. Por meio dessa tese, evidencia-se a pluralidade do idioma falado em todo território brasileiro, assim como a necessidade de promover a norma padrão contanto que se respeitem os fenômenos ligados à esta. Em 2016, noticiado pelo jornal “O globo”, tornou-se publico o caso de um médico brasileiro que viralizou nas redes sociais com a frase: Não existe “Pileumonia” e nem “Raôxis”, o que torna claro o cenário presente.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que distanciem o cenário atual da realidade vivenciada nas plateias de Mazzaropi. Destarte, o Ministério da Educação - em suma responsável pela administração do setor educacional - deve por em prática campanhas nas mídias sociais que proponham a aceitação das mais variadas formas da linguagem encontradas no país. Por meio da propagação de frases típicas de cada região em todo o país pela página do órgão, assim como nos canais de televisão. Visando, nesse sentido, a desconstrução de preconceitos na sociedade através de políticas que assim como no artigo V da constituição promovam a igualdade de todos.